Dois mil e dez e dois mil e onze, anos difíceis para Potiraguá

O município de Potiraguá foi criado por Lei Estadual, de 06.03.1953, desmembrado do município de Canavieiras, com a denominação atual. Extinto em 1956, foi reinstalado com o topônimo anterior, por Lei Estadual de 03.08.1958. Segundo o Guia Cultural do Estado da Bahia, volume 8, datado de 1999, a sede foi formada distrito com o topônimo de Natal, em 1938, alterada para Potiraguá em 1943, quando foi finalmente elevada à categoria de cidade. Porém, eu, quando criança, ouvi muito falar que seu primeiro nome foi Belém.
Potiraguá que fica a 681 quilômetros de Salvador, quando transcorria os anos 90 passava por momentos de desenvolvimento tão acentuados que parecia estar mesmo seguindo o rumo certo para encontrar as sendas do progresso, no que tangia o desenvolvimento urbanístico da sua sede e dos seus dois distritos: Itaimbé, antiga Coréia e Gurupá Mirim.
Potiraguá conseguia com seu prestígio político a locação de uma importante estrada estadual bifurcando as regiões sul e sudoeste, rumo a cidade mater Porto Seguro, para passar pelos seus dois lados, norte e sul.
Anos dourados foram aqueles que vislumbraram a elaboração de projeto de captação de água do Rio Pardo para tratamento e distribuição de um produto apropriado e bom para o consumo da população; aprovação da SUDIC para instalação de um núcleo da Vulcabras|azaleia para incrementar a produção da indústria calçadista e poder gerar emprego e renda, enfim, estava ali se concretizando os sonhos do povo potiraguaense.
Um estudo da professora Consuelo Pondé de Sena, especialista em Estudos Tupis, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, realizado a 22 de agosto de 1973, dá conta de que Potiraguá foi sem dúvida a combinação mais complicada na formação etimológica do Tupi para se encontrar o significado exato do nome da sede deste próspero Município do sudoeste baiano. Segundo a douta pesquisa, o nome Potiraguá explica-se naturalmente pelo tupi, ainda que ela não tivesse o testemunho de “Montoya” em apoio à sua afirmativa. “Ypotira quer dizer flor e água, coisa alongada, cabeçuda, ou seja o botão de flor antes de se abrir”. Assim, a verdadeira e única etimologia defensível de Potiraguá é pluralizando-a para melhor adaptação a um município. Botões de Flores. Este é o verdadeiro significado da palavra Potiraguá.
O tempo foi passando e a impressão que se tinha era que Potiraguá estava mesmo se desenvolvendo como uma bela cidade da região sudoeste. O seu avanço urbanístico à margem esquerda da estrada de quem se destina à BR 101 dava uma total visão de que ali, naquele bairro, havia mesmo um destacado crescimento urbano. Estação rodoviária, hotel/pousada, parque de vaquejada eram inequívocas provas de que o progresso estava passando por aquela cidade. Quando de repente, não mais que de repente, em edição de terça feira, 30.11.2010, o Jornal A Tarde estampa em sua página A-4 que Potiraguá foi a cidade que mais caiu em todo o Estado em termos de população. Dados confirmados pelo IBGE garantia a redução do seu contingente populacional em 32,5%, ou seja, de 14.579 para 9.827 habitantes, uma queda vertiginosa no índice de cálculos do Estado para com este Município. E pasmem os senhores, mal Potiraguá se equilibrava do aturdido espanto da queda da sua população, eis que outros dois tombos surgem repentinamente para fazer quedar de vez os ânimos desta querida gente de Potiraguá. O fechamento da unidade de produção da Vulcabras| azaleia e o rebaixamento de sua Comarca para se transferir para a Comarca de Itororó. “Assim também já é demais também meu bem”, como dizia Marco Antonio, comunicador da Rádio Cultura da Bahia, ou ainda como diz o homem do campo: “pra cima de queda, coice”.
Entretanto, acreditamos numa urgente reviravolta desta brava gente de Potiraguá, principalmente no tocante o seu potencial político e nas riquezas do seu Município para um breve soerguimento administrativo, mais a nível de Estado e federação, que faça brilhar outra vez o crescimento deste grande município, trazendo de volta o realçar das esperanças do seu povo.
O mesmo Guia Cultural da Bahia, que disciplina a questão da criação do Município e seus registros e datas importantes, também traz a voga o seu potencial turístico que, se bem explorado, poderá ser o mapa da mina para Potiraguá. Trata-se das riquezas minerais concentradas em regiões distintas desse Município, como por exemplo: a Gruta de Pedra, Gruta Santa Clara no Angelim, Mirante, Serra do Paraíso, Tombo de Areia com suas belas quedas e corredeiras em número de três, no encontro das águas do Córrego Angelim e Rio Pardo; a barragem do Rio Jequitinhonha represando suas águas em uma boa parte do Município que poderá ser explorada como ponto de turismo e como pólo pesqueiro no campo profissional, além de minérios de pedras preciosas, calcário e o aprimoramento da genética do seu rebanho.
Levante a cabeça e bola pra frente Potiraguá. E a título de reflexão, queremos deixar por base duas passagens interessantes. Primeiro uma lenda da mitologia grega. A Phênix ressurgiu das cinzas, se emplumou, e levantou longos vôos e a segunda é a verdadeira história da praga do Bicudo dos Estados Unidos que exterminou a lavoura do algodão, mas os produtores não se renderam, pelo contrário, investiram alto na plantação de cítricos e hoje são os maiores produtores de sucos e em vez de maldizerem o besouro Bicudo, ergueram um monumento aquele perverso bicho que fez a diferença naquela região algodoeira…
No município de Itororó também aconteceu a avassaladora destruição da lavoura cacaueira por conta da indesejada chegada da Vassoura de Bruxa e em seguida o fechamento de três agências bancárias, porém, seus dirigentes encontraram na produção da carne de sol e no lançamento de uma bela festa como é o Festsol, a boa alternativa para atenuar os muitos agravantes.
Certamente Potiraguá também saberá buscar suas alternativas que lhe permitirão continuar crescendo como município baiano e sede desta gente próspera e trabalhadora que vive às margens do Córrego do Nado e próxima ao caudaloso Rio Pardo…

* Miro Marques é escritor, historia-dor e radialista
jornaldimensao@yahoo.com.br

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