Dez anos de terror

Lembro-me, com uma certa riqueza de detalhes, do lugar onde estava naquele estranho dia 11 de setembro de 2001. Ainda completava o segundo grau e voltava da escola quando vi minha família reunida em volta da mesa assistindo algo que, por conta do absurdo da notícia, ninguém sequer conseguia explicar o que era. A exemplo de milhões de pessoas, praticamente assisti atônita, inerte e sem qualquer reação imediata às imagens transmitidas em tempo real pela CNN da destruição das torres gêmeas do imponente World Trade Center, em Nova York, capital do mundo ocidental. Só tempos depois me dei conta de parte da gravidade do assunto e do viés terrorista. Apenas mais tarde foi que percebi que não foi apenas uma tragédia, foi um marco que deixou profundas e necessárias reflexões em relação à geopolítica, à economia, ao comportamento humano diante de catástrofes, à noção de segurança mundial, à fé que cega e tantas outras áreas de conhecimento.

Aquele teria sido um dia para entrar na história. O século 21 havia começado, de fato, em 11 de setembro de 2001, há dez anos, quando quatro aviões sequestrados por terroristas islâmicos derrubaram as Torres Gêmeas em Nova York, destruíram parcialmente o Pentágono, em Washington, e o quarto, que deveria atingir a Casa Branca ou o Congresso, foi desviado e igualmente destruído. Resultado: quase 3000 mortos.

Diante das assombrosas imagens dos desmoronamentos das torres, sabia que as consequências seriam brutais, mas não podia imaginar que gerariam duas guerras mal resolvidas, um conflito permanente com o terror e uma úlcera aberta nos americanos.

Foi uma guerra geral, absoluta, sem limites nem fronteiras. Guerra armada por uma facção contra uma sociedade desarmada e aberta, utilizando instrumentos civis contra alvos civis. O mundo mudou às oito horas e quarenta e seis minutos, hora de Nova York, daquele 11 de setembro de 2001: neste preciso momento iniciava-se a era do terror, a era do medo, o tempo do vale tudo e da violência gratuita. Não havia mais inocentes, todos eram culpados e vulneráveis.

Uma palavra inevitavelmente adquiriu, a partir daquela data, conotação especial: terror. Os atentados trouxeram o item terrorismo para o centro da agenda internacional, onde ela deverá permanecer no futuro previsível. A era do terror foi oficialmente instalada pelos Estados Unidos com inimagináveis efeitos para a sociedade mundial. Não estou falando apenas de maior controle e rigor nos aeroportos internacionais e nem nas mudanças nos alertas de segurança que normalmente fazem parte da relação entre os países, mas da sensação psicológica provocada.

A percepção de uma iminente e constante ameaça terrorista, combinada às guerras promovidas pelos EUA e aliados ao Iraque e Afeganistão, deixou muitas pessoas com a impressão de que estamos todos vulneráveis e inseguros. Ou seja, não há mais segurança no mundo depois daquele fatídico setembro. O governo norte-americano demonstrou que a solução era prender e/ou matar terroristas nem que para isso fosse necessário destruir tudo o que estivesse à frente.

O responsável pelo massacre do 11 de setembro, Osama Bin Laden, foi punido e eliminado em primeiro de maio deste ano, porém o seu tenebroso projeto está mantido: nestes dez anos seus asseclas perpetraram cinco atentados contra instalações humanitárias das Nações Unidas, o mais recente há alguns meses, na Nigéria. A Al-Qaeda conseguiu instalar no mundo oriental o pior que o terrorismo pode oferecer: converteu a religião em arma de guerra, intoxicando de forma irreversível aqueles que seriam os naturais agentes da paz. E, desde então, apesar de todo esse esforço político, o mundo não está mais seguro e a paz não está mais próxima do que estava nas eras de conflitos anteriores.

Dez anos se passaram, mas as lembranças e as tristes heranças deixadas pelo atentado permanecem vivos. Ferida aberta que não se fecha, não se cura. Milhares de análises e inferências estão registradas por especialistas, analistas, sobreviventes, jornalistas e toda a sorte de gente que se dispôs a pensar no que aquele fato representou para a humanidade. Houve tanta repercussão sobre o episódio que o assunto permaneceu nas discussões em âmbito mundial e, no décimo fatídico aniversário, está mais vivo do que nunca. Que essas memórias nos sirvam de eterna reflexão.

Isabela Scaldaferri

belscaldaferri@hotmail.com

 

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