Definido o tabuleiro da sucessão estadual

modelo 1Finalmente os partidos mais representativos da oposição na Bahia deram uma demonstração de maturidade política com o anúncio da escolha dos candidatos que comporão a sua chapa majoritária para as eleições de outubro próximo. À exceção do ex-deputado Joacir Góes, escolhido para vice governador, deu-se o esperado pela opinião pública quanto aos indicados para os demais cargos; Paulo Souto para governador e Geddel Vieira Lima para a vaga de Senador da República. Não houve surpresa e os nomes apontados têm amplo respaldo na política baiana com destacada atuação e reconhecida liderança.

Fracionada a base governista com o desligamento do PSB para viabilização da candidatura da senadora Lídice da Mata para Governadora do Estado e consequente garantia de palanque eleitoral do pré-candidato Eduardo Campos a Presidente, e, agora, com o lançamento dos peso pesados Paulo Souto e Geddel unidos na disputa, não há como fugir à constatação de que o PT acusará um rude golpe em suas pretensões de continuar dando as cartas no Estado da Bahia por mais um quatriênio. A chapa anunciada é precedida de uma postura marcadamente oposicionista, o que vale assegurar o mais amplo debate no curso da campanha, ganhando o eleitorado com os esclarecimentos trazidos, ainda que surgidos no calor das discussões.

Para a saúde da democracia nada melhor que a alternância dos partidos no poder uma vez que o vencedor da eleição, buscando atender a expectativa da votação recebida, assume a obrigação de realizar mais e melhor do que o vencido. E, com esta salutar disputa, quem ganha é o povo, aliás, sedento de administrações com o mínimo de sensibilidade e que reconheçam as suas legítimas aspirações, proporcionando serviços de melhor qualidade, notadamente nas áreas de saúde, educação, segurança e transporte, para situar as mais carentes, não descartando outras para formar o conjunto do bem estar das famílias.

É bom que o tabuleiro eleitoral esteja de logo composto para que o povo baiano tenha tempo suficiente e condições objetivas para conhecer e analisar os candidatos que irão pleitear o seu voto nas próximas eleições. Custa pouco lembrar que, sucedendo ao carlismo, que dominou a política baiana por um largo período, com altos e baixos de acertos, o PT foi entronizado e se mantém na direção do Estado por duas gestões seguidas. E tomou tanto gosto pelo poder, que, esquecido dos combates que marcaram o seu passado, não mede esforços em seguir os passos dos adversários de ontem, lutando para permanecer a usufruir das regalias do Palácio de Ondina, de cujos gabinetes são emitidas as ordens de comando, chanceladas pela caneta do Comandante em Chefe, por mais algum tempo. É tudo o que o PT quer.

Atestam os estudiosos da política que paira no ar uma sensação de cansaço, tanto a nível estadual, quanto a nível federal, decorrente do continuado tempo de governo petista e das concessões feitas, ao arrepio dos princípios éticos, para manutenção do poder a qualquer custo. Aliás, a um preço muito alto, direta ou indiretamente custeado por todos nós. Na Bahia sentimos o reflexo dessa situação nos mais diversos setores da vida pública, com destaque especial à insegurança que não apenas ronda os lares, como persegue o cidadão em todos os seus passos pelas ruas das cidades; pela educação de baixa qualidade, apesar dos esforços do professorado, e críticas condições estruturais das escolas; pelas péssimas condições de saúde básica nos postos e instalações hospitalares, onde estas existem.

De agora até outubro é tempo suficiente para análise de como se comportarão as peças desse xadrez e que se apresentam como capazes de dar solução aos nossos problemas. A oposição, formada pelo DEM, PMDB e PSDB, traz, como candidato a Governador do Estado, o nome consagrado de Paulo Souto, com respeitável folha de serviços prestados ao Estado em duas gestões, inclusive em nossa cidade, afável e fácil convivência com correligionários e adversários, para contraponto ao candidato oficial, Rui Costa, um deputado que nunca conseguiu se destacar na Câmara Federal e que explora como principal trunfo de sua candidatura o fato de ser um ilustre desconhecidodo eleitorado baiano, malgrado a votação carreada para o seu nome por Jacques Wagner, na última eleição. Para a única vaga em disputa para o Senado, os partidos de Oposição estão indicando o nome do ex Ministro Geddel Vieira Lima, figura bem conhecida e de respeitada combatividade, tanto a nível estadual como nas esferas federais.

Tanto Paulo Souto como Geddel Vieira Lima são políticos com destacada atuação em Itapetinga e aqui têm recebido expressivas votações. O ex-Governador, tradicionalmente vinculado ao grupo do ex-Prefeito José Otávio, independentemente dos laços partidários, tem livre trânsito junto ao empresariado e à classe dos pecuaristas; possivelmente, foi o governador que maior número de obras autorizou para Itapetinga. O ex-Ministro carreou várias obras e viabilizou diversos e importantes projetos para Itapetinga, na gestão Michel Hagge, figura de proa no PMDB, a quem está politicamente aliado; tem, portanto, crédito político. Eleito deverá dar uma outra dinâmica ao Senado, que, ao longo de nossa história, ofereceu vultos da maior grandeza àquela Casa. Visto sob esse ângulo, e se contarem com o respaldo das lideranças locais dos seus partidos, deverão receber, nas eleições de outubro próximo, consagradora votação.

Resta-nos esperar as convenções de cada partido para homologação dos nomes agora conhecidos e daqueles que formarão as chapas para Deputados Federais e Estaduais, compondo a nossa representação. Até lá, e como politica é como nuvem, a toda hora muda de forma, muita coisa pode acontecer. Se assim for, que seja para melhor.

 

* Laécio Sobrinho é advogado

laolsadv@hotmail.com

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