Debate por um mundo mais tolerante

padrão destaqueEsta semana, nossa Câmara de Vereadores esteve lotada. A população queria debater, junto com os parlamentares, o Plano Municipal de Educação. Na verdade, o que movimentou e preocupou os itapetinguenses que lotaram o plenário da Câmara foi a presença das expressões ‘‘gênero’’, ‘‘sexualidade’’ e ‘‘transversalidade’’ no plano.
A corrente denominada “ideologia de gênero” estabelece a ideia de que “o ser humano não nasce homem ou mulher, mas constrói essa identidade ao longo da vida. Afirma que ambos não diferem pelo sexo, mas pelo gênero, e que este não possui base biológica, sendo apenas uma construção socialmente imposta, através da família, da educação e da sociedade. Essa ideologia defende ainda que o gênero, em vez de ser imposto, deveria ser livremente escolhido pelo próprio ser humano. Assim, deveria ser considerado normal passar de um gênero a outro e o ser humano deveria ser educado, portanto, para ser capaz de fazê-lo com facilidade, libertando-se da prisão em que o antiquado conceito de sexo o havia colocado”.
Confesso que ainda não consegui ter uma opinião completamente formada sobre todo o teor da ideologia do gênero, nem sei se acredito que o gênero seja uma construção “socialmente imposta” ou “escolhida”, sem “base biológica” nem é meu objetivo discutir isso aqui. Este texto é sobre a preocupação com a tolerância e o respeito ao diferente – que acredito que é o que o Plano Nacional de Educação propõe.
A forma como as coisas foram postas ultimamente podem, realmente, causar um certo pânico, principalmente aos pais que são de uma geração que não se falava em sexo. Já ouvi muita gente dizer que o MEC quer que a escola incentive a criança a experimentar relacionamentos homossexuais para que possa escolher o que realmente quer. Com base nessa ideia, grupos temem pela “destruição da família”, os “valores e morais” alicerçados na “lei natural” e, evidentemente, o avanço das pautas LGBT, dentre as quais a diversidade sexual e a criminalização da homofobia – pontos, na verdade, que transcendem a escola.
Embora não tenha participado das discussões sobre o plano, acredito que isso não é o que se pretende quando ele registra, em seu Artigo 2°, que é preciso dar “ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”.
Promover a igualdade de gênero é abrir o diálogo e criar espaços para se trabalhar todas as dimensões das desigualdades, problematizando a exclusão e o preconceito. Significa realmente promover a cidadania com a inclusão de todos. A escola não deve influenciar na sexualidade de ninguém. O que o plano prevê é a orientação e o respeito, porque hoje as pessoas morrem por causa de sua opção sexual. A igualdade de gênero é tão legítima, necessária e importante quanto à igualdade racial ou regional. Trata-se, pois, de discutir a sub-representação política das mulheres, as desigualdades no mercado de trabalho, a assustadora violência nas ruas e domicílios, a objetificação sexual na mídia, entre outras.
Assim, acredito que a discussão sobre gênero deve estar, sim, presente na sala de aula, a fim de formarmos jovens mais tolerantes. A criança tem que saber que menino com menino às vezes namora. Não adianta querer esconder das crianças uma realidade com a qual ela irá se deparar na primeira esquina que virar sem que a mãe ou o pai lhe tape os olhos. E elas precisam estar preparadas para encarar com naturalidade e respeitar o outro. É preciso tornar o homossexualismo algo natural, pois ele sempre existiu e o liberalismo sexual está fazendo com que eles se mostrem cada vez mais. Ninguém aqui defende “aulas práticas”, nem uma explicação detalhada sobre o sexo a crianças de 10 anos – nem mesmo gosto do teor das cartilhas que chegaram a ser distribuídas sobre o assunto. Mas é preciso conscientizar – de forma lúdica e de acordo à idade – que o homossexualismo existe e precisa ser respeitado.
Acredito que a igualdade de gênero tem que estar posta no Plano Nacional de Educação, mas com cuidado e com conhecimento pedagógico, não criando cada vez mais crianças e jovens preconceituosos. O que a gente vê por aí são jovens deixando as escolas por causa da homofobia, do ódio e do preconceito. São adolescentes sendo linchados e humilhados na rua. Acho que a escola pode assumir, também, o importante papel de romper com essa discriminação, criando cidadãos mais tolerantes. E uma sociedade mais tolerante vive em paz. É isso que devemos buscar sempre.

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