De volta ao começo

1-GX2lzU8DSFEbfSP8A-NxrgNesses tempos bicudos em que se fala de tudo e de todos, ainda uso camisa de mangas compridas, dando para pensar cá com meus botões sobre o ofício atual dos jornalistas. De médico a gente já sabe que todo cuidado é pouco, pois ao menor descuido neste ou naquele procedimento, é logo taxado de açougueiro ou carniceiro. Se a coisa for pro lado da advocacia, um deslize é suficiente para caírem na vala comum, sendo alcunhados sem dó e nem pena de advogados de porta de cadeia. Há uma penca de jornalistas que não anda bem das pernas e muito menos da cabeça. Naquela história de fazer apenas o que o patrão mandar para segurar o emprego, muitos profissionais, até então com certo conceito, perderam o rumo e o chão. A coisa tá ficando feia. A internet abriu um leque enorme, permitindo aos leitores mais esclarecidos, melhor seletividade, indo em busca da notícia em fontes de credibilidade. Não sabemos ainda quanto tempo irá durar esta onda de ódio e de incivilidade e quando esta ferida irá cicatrizar. O estrago já foi feito com rastilhos de pólvora no meio familiar e entre amigos. Não há sombra de dúvida que a causa maior de toda essa intolerância foi fruto da mente doentia, do ex-candidato perdedor na disputa pela presidência, o inconformado com a derrota, Aécio Neves. O tempo é senhor da razão e certamente fará com que, muito em breve seja esquecido pela população consciente. Somos carentes de lideranças, mas haverá de surgir uma mente brilhante neste imenso Brasil, que traga um pouco mais de esperança à nação. Li um artigo, se não me falha a memória, no blog do Ricardo Kotscho, onde ele diz que escrever é, acima de tudo, um ato de fé. No meu trabalho diário na função médica atendo pacientes de todos os níveis sociais, identificando-me bastante com os menos menos favorecidos, no setor do SUS. Causa-me certa satisfação ao ouvir de muitos deles que apreciam o que escrevo aqui no Jornal Dimensão. Estamos todos cansados e enfadonhos dessa mídia doentia que não se cansa de denegrir, cada dia que passa, com a imagem do país. Quem precisa ir a clínicas e consultórios médicos, bem como a laboratórios de exames clínicos, terão pela frente uma televisão ligada, quase sempre na TV Globo. E haja choradeira e lamentações, como se estivéssemos no pior país do mundo. Alguém já criou até um bordão: “Desligue a Globo, que o país melhora”. Quem sabe se esses locais optassem por colocar alguns vídeos educativos ou mesmo música de qualidade para se ouvir, não seria mais agradável e proveitoso para os pacientes. Pelo menos como forma de instrução e deleite. Este ano escrevi apenas duas matéria aqui no Dimensão. Há por todos os lados um certo desânimo e descontentamento. Escrever é algo prazeroso, principalmente se trouxer algum benefício, informação e contentamento ao leitor, que expressa sua alegria com o que lê e ao mesmo tempo que sente falta do mesmo, quando não o encontra no jornal. Enquanto busco novas fontes de inspiração, deixo aos prezados leitores uma belíssima letra de música de Gilbert Gil, intitulada:

A linha e o linho

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa da paixão
Sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama,
Nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

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