Com os dentes no quarador

kaluMeu velho pai Silio Dutra não costumava dar muita confiança a tipo de gente que só andava com os dentes no quarador. Não levava dele uma boa impressão. Dizia ele não ser lá coisa de homem sério. Se vivesse nos dias de hoje ficaria estarrecido com muitos políticos que, a custa de angariar simpatia ou alguns votinhos a mais, põem sempre os dentes na vitrine a qualquer custo. Rara mesmo é a foto de um político que não estampa os dentes no quaradouro. Fui dar uma espiada no Caldas Aulete e outros dicionários e encontrei:

“Lugar onde se quara a roupa (cora), com anil.

Antigamente usava-se o anil para a roupa não ficar muito branca. Lavava-se a roupa passando pelo quarador. O mais correto deve ser quaradouro. Neste local a roupa ficava exposta ao sol.

– Coloquei a roupa para quarar ao sol.

1. Piso de cimento liso onde se põe a roupa lavada para corar; CORADOURO

2. S Fig. Lugar muito exposto ao sol.”

 

Assim…, só que assim…,

tipo assim…

As conversas e bate papos atuais não fogem mais ao clichê e são frequentemente entremeados com um “assim” ou “tipo assim, que as pessoas nem notam mais o quão estão utilizando abusivamente desta espécie de muleta. A impressão que se tem é que a fala necessita de um tipo de pausa para dar tempo ao cérebro coordenar as ideias e o raciocínio fluir mais fácil. Há uma sensação de certa lentidão mental. Tipo assim… Assim… Assim como, cara pálida? Diacho de coisa mais sem graça. Pior mesmo só quando alguém levanta os dois dedinhos das mãos, o indicador e o médio, em pares e bem juntinhos, simulando aspas. (” “). Virou lugar comum. Sem esquecer dos que preferem só falar em off, como se estivessem contando algo que deveria ser guardado a sete chaves. Off na língua inglesa é usado como advérbio, preposição e adjetivo, podendo significar: ausência, distância, desconto, afastamento, separação, apagado, desligado, cancelamento, etc. Exemplo: Turn on (ligar), turn off (desligar). Outro tipo de muleta que muitos brasileiros utilizam, é a pausa com um Ah… bem prolongado. Coisa herdada dos americanos. Em congressos de cardiologia é muito frequente em apresentações de alguns palestrantes, em temas dos mais diversos. Tem certas figuras tão impregnadas com tais vícios que se tornam enfadonhas. De tão carimbadas que são, muitos congressistas desistem das palestras, por melhor que seja, só por causa do vício de muleta. Confesso que não tenho o mínimo de paciência com algo de tal natureza. Há outros vícios, porém em menor escala. Imaginem um diálogo onde alguém está sempre inquirindo ao ouvinte: Você está me entendendo? Compreendeu? É como se estivesse falando com algum debilóide.

 

(IN)SEGURANÇA

Nossa bela cidade há muito tempo tranquila e segura vem se transformando em palco de bandidos, traficantes e drogados. Aqui a gente era feliz e não sabia. Foi em busca do desenvolvimento rápido e almejado por muitos, que chegamos a tal ponto. Confesso que ainda prefiro nossa outrora e pacata cidade, quando ainda se podia por as cadeiras nos passeios das casas, durante as noites, para contar causos e jogar conversa fora. Hoje ninguém mais se atreve a tal ousadia, para não correr o risco de ser roubado. Cada dia que passa vai aumentando o número de pessoas que investem em segurança, colocando cercas elétrica nas casas, com câmaras e tudo mais que possa dificultar a ação dos bandidos, tentando proteger as famílias. Vivemos em um país de total insegurança, onde nossos governantes pouco estão se lixando para a segurança da população. Estão nos condenando a ficar presos em nossas casas enquanto os bandidos continuam a solta. É preciso mais ação e rigor por parte da polícia. O governo não pode mais ser omisso a essa vergonha. Rouba-se a qualquer hora do dia. Prende-se o meliante e em pouco tempo já está novamente nas ruas pondo a vida das pessoas em risco. Onde está a força da justiça e a severidade das leis para nos livrar desses bandidos de uma vez por toda? E a sociedade o que tem feito para discutir e cobrar dos nossos governantes ações mais enérgicas?

 

Carlos Amorim Dutra

e-mail: carloskdutra@gmail.com

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