Centro de Recuperação é interditado

Sem título-1Na última quinta-feira (25.02), o Centro de Recuperação União Pela Fé, foi interditado pela Vigilância Sanitária de Itapetinga, cumprindo recomendação 01/2016 do MP. A ação encabeçada pela Secretaria Municipal de Saúde e Ministério Público, contou com a parceria da Sec. de Desenvolvimento Social, Conselho Municipal de Saúde, Samu 192, CAPS, Policia Militar e Guarda Municipal. O Centro de Recuperação que funcionava no Recanto da Colina, não cumpria as normas mínimas da RDC 29 e demais exigências legais.
O Ministério Público solicitou a Vigilância Sanitária a devida interdição e que com o apoio da Sec. de Desenvolvimento Social os pacientes fossem removidos para outras clínicas, locais adequados ou devolvidos aos respectivos núcleos familiares.
A Vigilância Sanitária informou que o local não tinha condições mínimas de funcionamento, uma vez que estava totalmente insalubre, sem alimentação adequada, sem água tratada (utilizando água de poço), usuários sofrendo maus tratos, e muitas vezes mantidos em cela com cadeado e misturados, homens, mulheres, adolescente, andarilhos, doentes mentais e portadores de doenças infectocontagiosas, infringindo as normas mínimas da legislação. “A última denúncia que culminou nessa interdição foi justamente maus tratos contra uma senhora, encontrada com os pés ensanguentados e desnutrida. É uma pena que uma instituição dessa, que pode colaborar com a comunidade, chegue a esse ponto. Nossa função é cuidar da comunidade Nós pedimos às famílias que tenham o cuidado de visitarem seus parentes quando forem internados em algum centro, vejam se os mesmos recebem o devido tratamento, chequem as condições oferecidas, nos ajude a evitar situações como essa”, disse Cacileide Bonfim, coordenadora da Vigilância Sanitária do Município.
O Sec. de Saúde do Município, o médico Dr. Emmanoel Santos acompanhou toda ação “A fiscalização vinha sendo feita, o centro havia recebido várias exigências da Vigilância Sanitária que recebeu inúmeras denúncias. Foi uma ação em parceria com o Ministério Público, cumprindo determinação de Dr. Rogério. O Prefeito José Carlos Moura, pediu que acompanhássemos toda ação e presenciamos a triste realidade em que se encontravam os internos, que ao invés de obterem melhoras estavam piorando. Muito precário o local. Todas as pessoas lá estavam em fase crítica. O CAPS já havia se colocado à disposição e o responsável pelo local não levava esses pacientes para ter o apoio e receberem o devido tratamento”, disse Dr. Emmanoel.
Sem título-2Os internos foram levados de ônibus para o Ginásio de Esportes onde uma equipe da SMDS, realizou o cadastramento de todos e num trabalho de parceria e coordenados pela Secretária Verônica Rodrigues, conseguiu alocar alguns no Centro de Recuperação Getsemani, idosos no Lar Laura Carvalho, andarilhos foram encaminhados às Secretarias de Desenvolvimentos Social das cidades de origem, outros devolvidos as suas famílias, e com o apoio do município receberão o tratamento adequado, como por exemplo, portadores de transtornos mentais serão acompanhados pelo CAPS.
O Centro de Recuperação recebeu o auto de infração, foi interditado e tem o prazo de quinze dias para defesa.

Pastor Clóvis diz que nunca recebeu ajuda da prefeitura

Sem título-3Mantido pelo Pastor Clóvis Luis Passin de Jesus, o Centro de Recuperação União pela Fé funcionava em uma residência no Bairro Recanto da Colina. Na última quinta-feira, 25, o local foi interditado pelo município, atendendo recomendação do Ministério Público.
Depois de acompanhar os técnicos que lá estiveram, bem como os representantes do Ministério Público que inspecionaram todo o local, o pastor acompanhou a retirada dos internos – 29 ao todo – do interior da residência e levados para ônibus e kombi, foram conduzidos até o Ginásio de Esportes, onde uma triagem foi feita para encaminhamento a outras instituições, Lar Laura Carvalho e outros retornaram às suas residências. Andarilhos foram encaminhados à Secretaria de Desenvolvimento Social dos municípios de origem.
Angustiado com a situação, mas sem perder a fé e a vontade de continuar ajudando as pessoas, o pastor Clóvis Passini deu entrevista se defendendo das acusações. Afirmou que a casa apresentava deficiência em alguns cômodos, mas que ele não pode mais fazer investimentos em reformas, por conta de o proprietário ter solicitado o imóvel de volta assim que vencesse o contrato. Ele se diz vítima de perseguição e afirma que a prefeitura que nunca o ajuda em nada, ao contrário, acaba é prejudicando todo um grupo de pessoas que precisa de tratamento médico especializado. “A gente sabe que pela parte do município, principalmente do CAPS, não existe interesse em que esse Centro de Recuperação funcione. Infelizmente vieram as denúncias e interditaram. Me deram 15 dias para fazer a defesa, e eu estou aqui de cabeça erguida e à disposição da justiça. Não estou preocupado, porque ao desativar o Centro não sou eu quem perco, é a sociedade. Tenho certeza que muitas famílias estarão se manifestando a favor do Centro. Era o único socorro que ainda tínhamos dentro do município. Cito aqui o caso de seu Alaíde, que estava na Avenida das Indústrias, morrendo à míngua dentro de um barraco, com um monte de lixo e a Vigilância Sanitária nunca tinha visto. A comunidade fez a denúncia e Sizínio Neto e Marlon Araújo fizeram a matéria e ainda deram banho naquele senhor e levaram para o hospital. Depois se valeram do nosso Centro para acolhê-lo”, comentou o pastor, afirmando que de alguns internos nunca recebeu um nada e cuidava deles “pela misericórdia de Deus e agora vem esse pessoal aqui e me acusa de estar deixando aquelas pessoas passando fome. Eu nunca recebi uma banana podre do município para me ajudar a cuidar deles, o desejo deles me pararem não é de agora não, pois quando cheguei a Itapetinga e trabalhava de graça para o município, fazendo tudo o que eles queriam, recebendo mendigos que eles retiravam do meio da rua e levavam para que eu pudesse tratar, já não me davam nada, apenas me levavam os mendigos e lá deixavam”, se defende o pastor, afirmando que mesmo tendo que reduzir o seu quadro de funcionários de 20 para 7 pessoas, sempre procurou dar a atenção devida a todos os internos.
“Alguém me parou hoje, mas de maneira nenhuma me sinto derrotado. Eu tenho um sistema de câmeras no refeitório por exemplo, para provar à justiça que todos os internos recebiam suas refeições devidamente nos horários. Em momento algum fui chamado pela justiça para falar da instituição. Chegaram lá e simplesmente levaram os internos e fecharam a instituição. Espero também que eles cuidem deles e não permitam que jovens como Adriana volte novamente ao mundo das drogas, pois lutei tanto para trazê-la para a instituição e por sua recuperação.
“Estou de cabeça erguida” – continuou o pastor – “e vou procurar reativar o Centro, pois alguns pacientes as famílias não podem cuidar em casa e com certeza poder público nenhum realmente vai dar apoio para a família colocar em alguma clínica. Estou otimista, já constitui advogado e não vou baixar a cabeça jamais, de forma alguma”.

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