Catarata: avanços na cirurgia e novidades das lentes intraoculares

GIVAGOO oftalmologista Jivago Queiroz, diretor médico do Centro Especializado Oftalmológico Queiroz, é o entrevistado da semana. Ele fala sobre os avanços na cirurgia de catarata, as novidades que as lentes intra-oculares trouxeram para o setor e as vantagens para os pacientes, além de fazer observações importantes a cerca dos cuidados que se deve ter com o pré e pós-operatório deste tipo de cirurgia. A reportagem é de Eliene Portella.

 

Jornal Dimensão – Dr. Jivago, o que é catarata?

Jivago Queiroz – É a opacificação do cristalino. E o cristalino é uma lente que temos dentro do olho, na câmera anterior. Essa lente serve para que se enxergue para perto, para longe, enfim, ela corrige a nossa visão. O cristalino é formado de líquido, que com o passar do tempo vai diminuindo e aumentando a proteína. Com isto, ao invés de ficar translúcida, a visão começa a ficar amarelada, opaca, diminuindo a transparência. A perda de transparência do cristalino vai causar a diminuição da acuidade visual.

 

J.D. – E de que forma ela pode ser tratada?

Jivago Queiroz – A cirurgia é o único tratamento que existe para solucionar o problema da catarata. Há muitos anos já se realizavam essas cirurgias, de forma mais arcaica. Com a evolução dos tempos, chegamos ao que existe de mais moderno, que é uma cirurgia feita a laser e também usando a técnica conjunta de ultrassom, que é a facoemulsificação.

Em 1973 foi realizada a primeira cirurgia de catarata em Itapetinga, pelo meu pai Nivaldo Batista Queiroz, pela técnica intracapsular. Isto significava que se retirava a catarata e não se colocava lente dentro do olho. A pessoa passava a usar catral, uma lente bem grossa, para enxergar melhor. E precisava naquela época que a catarata estivesse bem velha, dura, para poder se fazer a cirurgia.

Com a evolução, passou-se então da intracapsular para a extracapsular, que é uma técnica em que se faz uma incisão no olho de aproximadamente 11mm e retira-se dali a catarata, inteira. Em seu lugar é colocada uma lente, substituindo o cristalino.

Em 2002 aqui em Itapetinga eu cheguei a realizar a primeira cirurgia de facoemulsificação, usando uma técnica com pequena incisão, onde se retira a catarata fraturando o cristalino para sugá-la. Depois, implanta-se uma lente intraocular, de forma dobrável, de maneira muito prática.

 

J.D. – E qual a vantagem de se fazer a cirurgia de facoemulsificação?

Jivago Queiroz – Ela vai garantir um menor risco de o paciente ter uma endoftalmite, complicação de infecção no olho; menor risco de causar um astigmatismo pós-operatório, de ter uma hemorragia expulsiva, enfim, se utiliza uma técnica que diminui muito as complicações. E mesmo assim isto tudo feito com muito critério, pois a cirurgia de catarata não é uma cirurgia ambulatorial como se prega tanto. Ela precisa ser realizada em um centro cirúrgico preparado e equipado, mesmo que essa técnica tenha evoluído de tal forma que se faz a anestesia tópica, apenas usando o colírio. O paciente já sai enxergando, sem o tampão, enfim. Mas há riscos sim e por isto precisamos ter todos os critérios para realizar a cirurgia com a capacidade de garantir o melhor para o paciente.

 

J.D. – São necessários exames pré-operatórios para quem precisa operar de catarata?

Jivago Queiroz – Sim, com certeza. É necessário sim a realização de exames pré-operatórios, pois grandes causas das complicações são a falta desses exames preliminares. É necessário exame de urina, pois se o paciente tiver uma infecção urinária ele poderá levar uma infecção para o olho, se contaminando através das mãos; É preciso que se faça um hemograma, um eletrocardiograma e uma avaliação de um especialista, que é o anestesista, para se saber se a pessoa está apta a realizar aquela cirurgia, pois uma hipertensão no momento cirúrgico pode provocar até mesmo um infarto ou um AVC, em decorrência do aumento da pressão, pois geralmente nessas cirurgias se usam alguns medicamentos para dilatar a pupila, que por si só já aumentam a pressão arterial.

 

J.D. – E no pós-operatório, quais cuidados se devem tomar?

Jivago Queiroz – É necessário que o paciente seja acompanhado por pelo menos um mês, pois a cirurgia pode apresentar complicações pós-operatórias, que são várias, e o paciente precisa também ser bem orientado para evitá-las.

 

J.D. – Depois da evolução dos processos cirúrgicos e das cirurgias a laser, quais as demais novidades no setor no que diz respeito à catarata?

Jivago Queiroz – O que mais evoluiu não foram os aparelhos ou técnicas, o que mais se avançou foi o tipo de lente que se coloca no olho. Elas vêm evoluindo significativamente. Hoje nós conseguimos fazer cirurgia corrigindo o astigmatismo, a miopia, a hipermetropia, a visão de perto e de longe, acabando com o multifocal, enfim, é uma evolução que vem satisfazendo mais os pacientes e dando conforto maior para aqueles que não querem usar óculos.

 

J.D. – Em que faixa etária a catarata mais se apresenta?

Jivago Queiroz – Existem vários tipos de catarata: a congênita, aquela que a criança já nasce com ela e por isto a importância de se fazer o Teste do Olhinho, não só para catarata, mas para outras patologias. A catarata também pode surgir após um trauma, após uma inflamação nos olhos, que a gente chama de secundária, mas a mais comum é a catarata senil, afetando as pessoas mais idosas.

 

J.D – Para finalizar, um paciente diabético que tenha catarata, pode realizar a cirurgia?

Jivago Queiroz – A diabetes é uma doença que aumenta a incidência de catarata. Geralmente o diabético tem uma catarata mais jovem, mais precoce. E tem que realizar cirurgia também, mas claro que sabemos que o exame pré-operatório é que será bastante importante para que tudo dê certo. Há necessidade de se observar a retinopatia diabética para que se evite que existam maiores complicações. É preciso se consultar um especialista antes de operar o diabético, para que se possa oferecer a ele toda a segurança necessária durante o procedimento e um resultado satisfatório.

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