Bomba relógio

modelo 1Dentre os diversos problemas que temos visto na mídia, a violência está entre aqueles de grande preocupação de todos nós. É tão grande a atenção ao tema que, sempre que retorno de alguma viagem, pergunto ao motorista do táxi como foram os últimos dias da cidade e eles fazem questão de começar por este tema. Infelizmente, Itapetinga é mais uma cidade que aumenta a estatística nacional. Recentemente, em um telejornal, foi apresentado um mapa dos Estados mais violentos do Brasil. A Bahia aparece entre os primeiros com maior índice de homicídio. São 21 cidades baianas entre as 100 com maior número de mortes causadas por arma de fogo. Mais do que Rio de janeiro e São Paulo. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e outras fontes. Em cada 30 minutos uma pessoa é assassinada nas capitais do país. Para espanto geral, o nosso país, com 3% da população mundial, concentra 9% dos homicídios do planeta. Segundo a ONG mexicana “Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal”, o Brasil tem 16 cidades entre as 50 mais perigosas do mundo. Considerando a morte com uso de arma de fogo, o município de Simões Filho (BA), aparece com maior índice no país. Sendo a Bahia o Estado mais letal para jovens, e Itabuna ainda lidera nacionalmente o ranking, e junta-se a ela, Camaçari, Vitória da Conquista, Salvador e Feira de Santana. E a nossa querida Itapetinga? Neste ano, foram cerca de 20 assassinatos e outras tantas tentativas com uso de arma de fogo. Alguns falam em impunidade como maior responsável. Será mesmo? O nosso país, tinha a quarta população carcerária do mundo (2014), atrás da Rússia (673.800), China (1,6 milhão) e Estados Unidos (2,2 milhões). Mas, levando em conta a prisão domiciliar, passou a terceiro, ficando com uma população carcerária de 711.463 presos, segundo dados do ICPS, sigla em inglês para Centro Internacional de Estudos Prisionais, do King’s College, de Londres. Pensando a partir dos dados, necessitamos de alguns questionamentos. Se parece não ser uma questão única de impunidade, o que será? Que tipo de ação para ressocialização estamos desenvolvendo? Que tipo de ações preventivas são desenvolvidas nas comunidades mais vulneráveis? A maior parte da população carcerária é jovem, negra e pobre. O que representa isso? Não acredito que mais policias nas ruas, mais casas com cercas elétricas e muros altos, mais presídios venham a resolver o problema. Precisamos desenvolver ações que possam contribuir para melhor formação de crianças e jovens. Os municípios precisam desenvolver projetos que fortaleçam os já existentes do governo federal. Não é possível criar condomínios ou abrir espaços para surgimento de mais bairros sem pensar em ambientes que favoreçam o bem-estar das pessoas que ali residirão. Ambientes de arte e cultura, lazer e educação. Não ações pontuais, mas contínuas. Assistindo ao documentário “Sem Pena”, de Eugênio Puppo, lendo alguns artigos e vendo alguns vídeos sobre o tema, nos parece que, o sistema carcerário brasileiro, não reduz o crime, não inibe a violência, que ao contrário cresce, inclusive nas pequenas cidades.
O sistema carcerário brasileiro é uma bomba relógio. O que estamos fazendo para desmontá-la?

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