Barragem no Catolé gera debate

Foi realizado no dia 21, na Câmara de Vereadores de Itapetinga, um encontro entre lideranças políticas, representantes da Uesb e da comunidade, para debater e esclarecer as questões relacionadas à possível construção de uma barragem no Rio Catolé, com objetivo de regularizar o abastecimento de água em Vitória da Conquista, Belo Campo e Tremedal. A notícia da construção, que já dispõe de recurso federal para sua implantação, surpreendeu a população local, pois até o momento a obra não passou por consulta popular, nem há dados técnicos sobre os possíveis impactos ambientais.

Ainda não há informações detalhadas sobre a obra. Sabe-se que o projeto foi elaborado pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), pretendendo resolver, para próximos 20 anos, o problema da falta de água nos municípios vizinhos. O Rio Catolé é a fonte primordial de água doce para os municípios de Itapetinga, Caatiba e Barra do Choça, além do distrito de Cassilândia, que é abastecido pelo Rio Catolezinho. De acordo com os especialistas presentes, o rio já não apresenta suas características nativas há anos, sendo necessário analisar as implicações da barragem nas fases de construção e operação, observando itens como o comportamento do lençol freático, vazão, profundidade e largura do canal, além das consequências para a fauna e a flora.

Para o biólogo e mestrando em meio ambiente, George Ferraz, é necessário um estudo de diversas áreas como ecologia, geologia e hidrologia, por exemplo, para analisar a situação atual da bacia do Catolé. “É preciso que haja também uma consulta popular, envolvendo as regiões da nascente, de Barra do Choça a Itapetinga. Não tenho conhecimento se houve essa consulta, que precisaria ser de grande intensidade, porque toda a sociedade daqui dessa região precisa ficar ciente e ter uma justificativa por parte de todas as autoridades envolvidas neste processo”, explica.

Para a professora da Uesb, Patrícia de Abreu Cara, antes de qualquer ação, é preciso conhecer profundamente o projeto e sua dimensão. “Ainda não se sabe qual seria a área inundada, nem o ambiente diretamente impactado, mas com certeza será ambiente de mata nativa e ciliar, gerando perda de espécies vegetais e animais. É necessário ver quais são as espécies que ocorrem ali, já que as perdas principalmente da biodiversidade podem ser muito possíveis de ocorrer. Para minimizar esses efeitos, a primeira medida seria um bom estudo de impacto ambiental, adotando as medidas de mitigação destes danos”, afirmou.

As informações são da jornalista Mellina Montanha.

 

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