As boas lembranças

kaluDifícil viver sem ater às boas e belas lembranças. Com certa frequência aparece em meu consultório pessoas que conheci há algum tempo e que por vezes me fogem à lembrança pela mudança da fisionomia ou de alguns traços físicos que o tempo se encarregou de mudar. Pela minha ligação com a música desde os tempos da juventude, alguns relembram os bons e velhos tempos dos conjuntos musicais em que a gente era feliz e não sabia. Conjuntos como os Apaches, os Átomos e as Gatinhas Manhosas são relembrados com muita saudade pela minha geração. Ultimamente a palavra lembrança tem estado presente em minha mente e estava esperando o momento certo para escrever um artigo utilizando-a como título. Esta semana atendi um paciente de nome José Silva Trancoso, que ao realizar um exame complementar perguntou-me como ia o meu violão. Disse-lhe que ainda continuava na ativa e estudando um pouco mais o instrumento. Sabia que aquela fisionomia não me era estranha, mas não conseguia identificar a pessoa. Mesmo assim falamos sobre o tempo dos Conjuntos Musicais que hoje é denominado de Banda. Os Apaches era o nome do conjunto do qual fiz parte na primeira formação, tocando contra-baixo. Não sei bem quem escolheu tal nome para o grupo, que nada tinha a ver com a música, tratando-se simplesmente de uma famosa tribo indígena. Creio eu ter sido fruto do enorme sucesso que fazia na época os filmes de faroeste (Far West), curtidos no Cine São José e no Cine Teatro Phoenix. Tenho adoráveis lembranças dos momentos felizes que vivi durante o tempo em que convivi com os componentes do conjunto os Apaches. Acredito que tenha sido também a primeira experiência musical do maestro, compositor e violonista Aderbal Duarte, que na época do grupo era o responsável pelos solos maravilhosos de guitarra. Lá se vão mais de 30 anos de uma amizade que perdura até hoje. Apesar de trilharmos destinos diferentes, tivemos a felicidade de morar em Salvador, local em que ele seguiu o caminho da Música e eu o da Medicina. Dos demais componentes cada um seguiu o seu destino. Diarone, que tocava bateria, morou no Rio de Janeiro por muito tempo e posteriormente fixou residência em Vitória da Conquista, atuando na área de publicidade. Não mais se envolveu com música. Nos encontramos esporadicamente, porém sem a mesma ligação que tenho com o maestro Aderbal. Valdemir (Mizinho), tocava guitarra. Seguiu carreira como funcionário de banco, até a aposentadoria. Reside atualmente em Itabuna e nos vemos quase sempre em época de São João, quando vem nos brindar com sua presença, sendo uma enorme alegria revê-lo. O nosso croner (cantor) principal da banda era Aladino, responsável pelas músicas da Jovem Guarda e um dos intérpretes das canções de Roberto e Erasmo Carlos. Fincou raízes por aqui e não mais arredou o pé. Apesar de residirmos na mesma cidade não nos vemos com muita frequência. Sei que ainda continua cantando por aí, com sua bela voz, afinado com sempre. Benedito Sodré (Bené) era o nosso empresário. No mesmo rumo de Mizinho, seguiu carreira como funcionário de Banco. Morou em alguns lugares e acredito que hoje esteja residindo em Fortaleza. Anualmente aparece por aqui nas festividades de final de ano, curtindo com saudade as nossas lembranças do tempo do conjunto. O destino nos encaminhou para rumos diferente, mas que bom se pudéssemos nos reunir mais uma vez para relembrar os velhos tempos. Estive pensando sobre isto e vou amadurecer a idéia para o nosso encontro, já que estamos todos na casa dos sessenta.

* Carlos Amorim Dutra é médico cardiologista

e-mail: carloskdutra@gmail.com

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