Aos vândalos, o rigor da lei!

padrão destaqueNa semana passada, nesta mesma página dois, posicionei-me favorável às manifestações que tomaram o país. Como disse na última edição, acredito que, na democracia, o povo precisa tomar as rédeas da situação porque o poder emana dele e é assim que deve ser. Antes mesmo que o Dimensão da semana passada fosse às ruas, mais uma série de vandalismo tomou o espaço mais nobre nos noticiários e aumentou ainda mais nesta quinta, quando os bairros do Leblon e de Ipanema amanheceram com marcas assustadoras de destruição, após as ações de vandalismo ocorridas durante o protesto da noite anterior: agências bancárias com os vidros quebrados, lojas que tiveram suas mercadorias roubadas, placas de sinalização danificadas e estabelecimentos comerciais com as fachadas quebradas.

Não demorou muito para que alguns amigos, contrários às manifestações – inclusive as pacíficas, viessem cheios de brincadeiras, perguntando se apesar das notícias eu ainda continuava apoiando os manifestos.

É preciso perceber que os saques às lojas da Zona Sul do Rio não são mais do que atos de aproveitadores criminosos que se valem da atenção da PM aos manifestos e da falta de policiamento em outras áreas para espalhar terror por onde passam. São delinquentes que merecem a lei e que não representam qualquer espécie de movimento democrático. Apenas reafirmam os níveis de violência das metrópoles.

Tais indivíduos devem ser criminalmente processados, bem como repreendidos pelos reais manifestantes. São eles que, ao praticar tais atos, retiram a legitimidade dos protestos. Por todas essas razões, devemos afirmar e esclarecer que os integrantes dos protestos não se prestam e não aprovam esses atos. São indivíduos cansados de tanto descaso que, ao invés de partir para a criminalidade, cobram, pacificamente, mais ética e probidade na política. Reclamam o respeito aos direitos fundamentais e a atuação do Estado em prol da efetividade de direitos sociais. Não se confundem com “rebeldes sem causa”.

Li, certa vez, que “vandalismo não é manifestação democrática. É só o povo contra o povo”. Acredito que manifestação popular é a melhor forma de expressar a democracia. Mas, manifestações só têm sentido e valor quando não partem para a ignorância e um vandalismo absurdo que, convenhamos, é uma forma antidemocrática de quem quer impor ditatorialmente uma opinião. Vandalismo é a utilização da força bruta e força bruta tem tudo a ver com ditadura e não com democracia. Devemos entender que poucos dos que participam de manifestações pacíficas se juntam ao bando de vândalos que só está nas manifestações para criar tumulto e danificar o patrimônio público e privado. Por essas razões, posiciono-me de maneira contrária à desmilitarização da polícia, como pregam alguns. A Polícia Militar precisa de reciclagem, a fim de entender o ambiente democrático inaugurado com a Constituição desde 1988, mas não pode deixar de existir, sob pena de vivermos em um Estado sem qualquer espécie de ordem.

Manifestações só são vitoriosas quando fazem ouvir o grito do povo e não criam a revolta do próprio povo que é sempre o maior prejudicado com o exagero de alguns. Nenhum movimento pode terminar vitorioso se provocar a indignação e a revolta do povo contra o povo. Caminhemos em paz, gritemos em paz e, só assim, venceremos. Um país só é realmente democrático quando sabe protestar pacificamente e quando respeita acima de tudo o povo. As manifestações começaram cheias de razões, propósitos e respeito, com todas as características necessárias para se fazer valer uma democracia. Agora, o que se vê nas ruas é vandalismo e violência, as armas usadas por quem não tem razão ou argumentos inteligentes para dialogar.

Por fim, cabe afirmar que, aqueles que desrespeitam o patrimônio público desrespeitam a todos nós e a si mesmos. Todos esses prédios depredados integram o patrimônio de toda a sociedade. Apenas esses ignorantes não percebem que o Estado não é um terceiro que se forma à margem da cidadania. O Estado é parte da cidadania, tanto que buscamos mudar os rumos do Estado por sermos os reais detentores do Poder.

Assim, devemos destinar aos vândalos o rigor das leis de nosso país e aos manifestantes a liberdade e as garantias inerentes ao regime democrático.

Isabela Scaldaferri

belscaldaferri@hotmail.com

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