Acreditei que daria certo. E deu.

padrão destaqueSim, o Brasil perdeu a taça. Esse era um resultado possível em uma partida de futebol. Esporte é assim. Não seria interessante se não houvesse várias possibilidades. É triste. Foi absurdamente triste. O jogo para as semi-finais entre Brasil e Alemanha do dia 8 de julho no grande estádio de Belo Horizonte significou uma justa vitória da seleção alemã e uma arrasadora e vergonhosa derrota brasileira. Milhões estavam nas praças e ruas de todas as cidades. A atmosfera era de euforia. “Faltavam só mais dois passos”, repetiria Galvão Bueno. Estávamos apenas a cinco dias da grande festa. Até que, em menos de 30 minutos, a festa havia acabado. Restava-nos só cumprir o protocolo dos 90 minutos mais longos da nossa história. Aturdidos, os brasileiros assistiam ao maior desastre da seleção em campo. As dificuldades da partida eram bem previsíveis: nosso time desfalcado – sem seus dois principais jogadores – iria enfrentar a poderosa Alemanha que vinha demonstrando uma disciplina rigorosa e um desempenho invejado. Mas o resultado foi surpreendente até para os mais pessimistas dos brasileiros.

Eu devo confessar que acreditei até o final. Que me chamem de louca ou iludida, que me mostrem todos os jogos e toda a nossa deficiência em campo, que falem sobre a inexperiência do nosso time, do egoísmo de Neymar, da instabilidade emocional de Tiago Silva, da ineficiência de Fred, do apagão de Paulinho… eu acreditei. Sempre, a cada jogo. A emoção de presenciar o maior campeonato esportivo do mundo em casa e de estarmos fazendo uma festa tão bonita me deu a esperança de que poderíamos chegar lá, mesmo que fosse aos trancos e barrancos, com uma ajudinha do travessão bloqueando a bola do adversário, com pênalti questionável, com gol feio, gol bonito, gol deitado ou até de mão. Na prorrogação, nos pênaltis, na fé… eu acreditei. E justamente por isso eu sofri com o resultado. Como disse a repórter esportiva, Fernanda Gentil, “Só sofre quem, em algum momento, acreditou. Eu acreditei e escolho acreditar de novo todas as vezes”. Escolho acreditar na seleção e, principalmente, em meu país.

Desde o início da preparação do evento eu resolvi acreditar que daria certo. E deu. Nós fizemos o que andam chamando por aí da Copa das Copas e colocamos por terra todas as mais pessimistas previsões. Até a fatídica abertura do evento li e ouvi os maiores absurdos. Raivosos, de cara coberta com máscaras negras, quebraram bens públicos e queimaram carros e vociferando que não ia ter Copa. Durante as reuniões de amigos, um monte de gente jurava que o Brasil não poderia organizar o evento. Colegas compartilharam pelas redes sociais notícias falsas e montadas sobre o Brasil. Juravam que seria um vexame. Iria ter roubo, baderna, confusão, dengue… Sem titubear, tinham a certeza de que seria uma catástrofe. Na véspera da Copa, dia 11 de junho, o alarme. Sistema sem fio não funciona. A internet 4G não pega. No dia do primeiro jogo os refletores piscaram. “Esperem amanhã, imaginem o caos”, diziam. Arnaldo Jabor disse que mostraríamos ao mundo a nossa incompetência. Não mostramos. Pelo menos não fora de campo.

Sim, eu queria que desse certo. Eu apostei que daria certo. E deu muito certo, sim. O Brasil fez a Copa das Copas. É só perguntar para quem esteve aqui. Pergunte que imagem levarão de nosso país. Pergunte quanto deixaram de dinheiro. Pergunte se voltarão. Na verdade, nem precisa se dar ao trabalho. O site G1 perguntou a 12 gringos o que eles acharam de mais surpreendente e curioso no Brasil. A lista é bem grande e divertida, com um número absurdamente superior de coisas boas. Um dos entrevistados deu a melhor de todas as respostas, talvez a que mais nos traduza: “O fato de que as pessoas são tão felizes por estarem vivas é algo muito diferente e palpável”.

O jeito que perdemos as semi-finais foi absurdamente triste, como disse no começo do texto. Como disse David Luiz, que bom seria se os brasileiros pudessem sorrir ao menos pelo futebol. Não deu. Mas eu acredito que o resultado da organização do evento – o resultado e não o que ocorreu no seu limiar com corrupções, superfaturamentos e obras inacabadas – foi bem positivo. Sobre o 7X1? Foi só mais um número a ser lembrado por Galvão ao narrar a próxima Copa. Vamos em frente. Erguer a cabeça e ir na fé. Como disse Drummond: “Foi-se a Copa? Não faz mal. Adeus chutes e sistemas. A gente pode, afinal, cuidar dos problemas”.

 

 

Isabela Scaldaferri

belscaldaferri@hotmail.com

Tags: , , , ,

Sem comentários ainda.

Deixe um comentário