Academia Itapetinguense de Letras volta à ativa

modelo 1Ainda este mês a Academia Itapetinguense de Letras estará voltando às suas atividades, abrindo as portas para a comunidade, inaugurando seu auditório-teatro e incluindo em seu rol cinco novos acadêmicos. O presidente da AIL, Milton Macêdo, fala desse período e da expectativa de novas etapas.

Jornal Dimensão – Fundada há 13 anos, o que levou a Academia de Letras a passar tanto tempo sem atividades externas, além das corriqueiras reuniões de membros?

Milton Macêdo – Nem tanto tempo assim, se analisarmos dentro dos parâmetros necessários, “normais”, que uma instituição sem fins lucrativos precisa para construir uma sede como construímos e um auditório no porte que fizemos; imaginamos e tivemos a coragem de construir. Foi difícil, sim; mas valeu a pena. Nenhum “político” se interessou, até porque nem interessa, nem gera votos. Cultura ainda continua em segundo plano. É vergonhoso a gente ir reportar para uma autoridade a necessidade de ajudar a nossa construção. Fica parecendo esmola, mendicância; mas não é nada disso!. A Academia Brasileira de Letras é mantida por toda a federação brasileira, inclusive o município fluminense, o carioca, governo do estado do Rio, governo federal além de todos os estados em que os acadêmicos são naturalizados. Aqui infelizmente falta essa visão de independência política partidária. A Academia Itapetinguense de Letras é absolutamente neutra quando se fala na “política pequena.” Somos 15 pensantes com plena liberdade de expressão, somos um conjunto de diversidades de idéias, ideologias e valores mas acima de tudo cultivamos um respeito mútuo no nosso quadro social.

 

J.D. – Com sede própria na Rua Marechal Floriano Peixoto, a AIL se torna um espaço cultural de respeito, agora tendo inclusive um auditório com palco.

Milton Macêdo – Parece até delírio, mas realmente a AIL tem esse espaço, ainda muito simples, com capacidade de umas 120 pessoas na platéia. É uma grande coisa para a cidade, para a comunidade cultural, para os simpatizantes da cultura literária e suas vertentes: a dança, a música, a leitura, a poesia, a crônica, o conto, o ensaio, o ramance, o teatro. Eu, como presidente não medi esforços para concretizar esse sonho. Até os vizinhos sabem de minha insistência, quase todos os dias estava por lá, ou fazendo alguma coisa, ajudando e realizando. Fiz tudo com prazer, com energia e contando sempre com meus grandes confrades e confreiras. Não queria falar apenas da importante generosidade do Dr. Wilson Ribeiro pra não cometer injustiças, esquecimentos, pois todos eles sempre estiveram comigo, incentivando de todas as maneiras e fico grato a eles e outros empresários generosos. Eu acho engraçado, às vezes até entendo, mas tem gente… uns, uns pensam que somos uma entidade fechada, elitizada, pouco acessível e nem tanto popular. É um julgamento distorcido, equivocado, visão de rótulo e de preconceito. Alguem já falou… eu acho que foi minha amiga Cleise Mendes da Academia Baiana de Letras que “as academias são como as armas. Só deve ser utilizada em defesa. Em defesa, antes de tudo, do patrimônio cultural de um povo”. E assim também somos, usamos essa energia constantemente, até mesmo quando não temos atividades externas, para o público.

 

J.D. – Há uma intenção de se renovar o quadro e abrir vagas para as cadeiras ocupadas por saudosos integrantes, a exemplo de Marcus Wanderley, Judith Jabur de Moura, Iracildo Franca, Marvione Macêdo, Valdemar Ferraz. De que forma é feita esta escolha e quem são esses novos imortais?

Milton Macêdo – Temos um ritual que nos dá uma luz, uma sabedoria determinante para escolher e indicar nossos confrades e confreiras. Agora foram eleitos 5 novos membros, todos de uma enorme dignidade, todos eles bastante interessados em incentivar, apoiar a cultura literária de Itapetinga. Os nossos saudosos Marvione Macêdo, Iracildo Franca, Marcus Wanderley, Valdemar Ferraz e Judith Jabur já cristalizaram-se na história que é a nossa mais pura imortalidade.

 

J.D. – Algo mais a acrescentar?

Milton Macêdo – Eu sei que muitas pessoas ou parte da comunidade de Itapetinga continuam ansiosas com um olhar focado em tantos eventos que promovemos, divulgamos, disseminamos e cultuamos em anos anteriores. Sei também que é necessário não somente dois ou três voluntários, existe a história da andorinha sozinha, existe o comprometimento social, a participação da comunidade local, até o jornal Dimensão que tanto nos apoiou, tantas vezes cobriu os nossos eventos, a gente fica agradecido, feliz. E quando a gente olha pelo retrovisor da história, imagina aquela antiga construção totalmente abandonada, destruida e de repente eu passei – pouca gente sabe – passei três meses sozinho com a chave na mão dada por nosso grande benemérito João Calixto Espinheira, e fui arquitetando meus sonhos e projetos e sorrateiramente cheguei para meus queridos amigos da AIL e falei: Consegui!… temos uma sede!…. vamos ter um auditório e foi como a incrível história de Cervantes, o engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha e seu companheiro Sancho. O delírio e a razão. E muito importante também, todos os companheiros, inprescindíveis personagens que ajudaram concretizar esse sonho.

 

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