A Zona Azul, o lixo e a educação

kaluAlgo precisa ser feito e urgentemente para que o trânsito em nossa cidade, ainda considerada pacata, tome um rumo de civilidade, principalmente depois do crescente e desordenado aumento de motos. Se a Zona Azul dá certo em outras cidade, porque não funciona aqui? Qual o real motivo? O primeiro ponto a focar são as Praças Augusto de Carvalho e da Bandeira (agora intitulada Praça da Bíblia), cujo monumento construído destoa completamente do local. Mas, voltando à Zona Azul, não há justificativa para alguém estacionar um carro o dia inteiro, a custo zero, sem permitir qualquer rotatividade, impedindo que outras pessoas se desloquem de bairros distantes e não disponham de um local para estacionar, mesmo disposto a pagar, para poder exercer alguma atividade no centro da cidade, seja na rede bancária ou no comércio. Na Rua Barão do Rio Branco é permitido o estacionamento em mão inglesa, dificultando o trânsito dos pedestres, por ser uma rua bem estreita. Filas duplas são feitas na Rua Santos Dumont, sem qualquer controle ou respeito às residências com garagens. O indivíduo pode comprar seu carro novo, do ano e pagar um alto seguro de proteção, mas recusa pagar pelo estacionamento, achando-se no direito de estacionar o carro todo o período da manhã, com custo zero, quando não o faz o dia inteiro. A arrecadação da Zona Azul certamente teria alguma finalidade, como por exemplo, na confecção de cartilhas educativas que seriam distribuídas ao público, em benefício do próprio trânsito local.

Quanto ao lixo, já comentei várias vezes aqui neste espaço. Mas, como diz o velho ditado: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” O cerne do problema está na educação do cidadão. O lixo é jogado nas ruas, tanto em bairros pobres, quanto em residências dos ricos. Basta dar uma olhada em volta da Lagoa, nosso cartão postal, para ver a quantidade de sacos plásticos que são jogados, principalmente no trecho que margeia a estrada. Todo mundo se acha no direito de jogar lixo ou entulhos nas portas das casas, como se o município tivesse obrigação de recolher todo e qualquer material de construção ou de limpeza de terrenos. Nas estradas vicinais que dão acesso a algumas fazendas, não tem sido diferente. Carros grandes e pequenos cruzam as estradas com gente de todo lugar, em busca de curtir um feriado ou final de semana à beira do rio, invadindo a propriedade alheia, não se importando com a sujeira que é deixada por onde passam. Garrafas, sacos plásticos, vidros, roupas velhas e muito mais. Acham que toda propriedade que dispõe de um rio, dá direito ao livre acesso. É gente de todo tipo e de toda espécie. Muitos dizem que vão só pescar ou caçar, mesmo sabendo ser a caça proibida pelo IBAMA. Mas, há muitos que vão apenas sondar o ambiente, motivo que tem elevado o índice de roubos e assaltos nas fazendas. Placas sinalizando a proibição de caça e pesca não tem surtido efeito, pois não são respeitadas. É difícil encontrar respaldo em algum órgão oficial que garanta o direito de propriedade, impedindo tais invasões. Alguns fazendeiros para se protegerem, costumam colocar cadeados nas cancelas para impedir o acesso. Quando os invasores não conseguem passar, colocam palitos nos cadeados ou ateiam fogo nas pastagens, por pura maldade. Há algum amparo legal que permita punição para tais atos?

Há lugares na cidade e redondezas onde o lixo é recolhido em um dia e no dia seguinte está sujo de novo. Não é difícil coibir a turma do Cascão, personagem das revistas em quadrinhos de Maurício de Souza, que adora uma sujeira. Se houver interesse, basta apenas reunir uma boa equipe de fotógrafos para ficar de prontidão nesses pontos mais vulneráveis e esperar os porcões para fotografá-los com a mão no lixo e denunciá-los ao ministério ou poder público para que seja estipulada uma bela multa, além da obrigatoriedade de fiscalizar o referido local por um bom tempo, como campanha educativa, servindo de exemplo para que outros não façam o mesmo. E se houver amparo legal, levar até o conhecimento da população, através da internet, nomes e fotos dos causadores da sujeira, caso sejam reincidentes.

Mas que bom que nada disso fosse necessário, se a velha e boa educação, principalmente aquela que vem de berço estivesse presente nas pessoas. A cidade ficaria limpa e mais bonita, a natureza mais exuberante e nos livraríamos de tanto lixo. De vez em quando é bom sonhar um pouco. Mas, a palavra chave chama-se CONSCIÊNCIA. Uma campanha publicitária e educativa com o slogan: POR UMA CIDADE MAIS LIMPA, já seria um bom começo.

* Carlos Amorim Dutra é médico Cardiologista, médico do Trabalho e músico

carloskdutra@gmail.com

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