A primeira missa de Itapetinga

Como já expliquei em outras edições do nosso Jornal Dimensão, eu faço jornalismo de forma empírica, mas com responsabilidade tal qual. E, assim sendo, eu tenho mais cuidado ao buscar a fonte geradora da informação precisa. Por isso mesmo, sempre tenho que recorrer às obras dos nossos autores regionais porque, a julgar pelo que eu estou lendo, elas são altamente confiáveis para que eu possa construir um trabalho de boa credibilidade.

Neste artigo eu vou relatar três fatos do passado que julgo importantíssimos para as mais novas gerações. Trata se de como surgiu São José para padroeiro da cidade, a primeira Missa realizada em Itapetinga e a chegada do primeiro professor. Tudo isso, tendo ponto de partida na P/44 do livro “Histórias e Causos de Itapetinga” de autoria da consagrada escritora Judith Jabur de Moura, de saudosa memória.

Em um dos batizados da família de Augusto de Andrade, ele reuniu convidados em uma festa na sua fazenda Astrolina

 

São José padroeiro e a primeira Missa

A escritora relata que Augusto Andrade de Carvalho era, desde adolescente, um católico fervoroso e recebeu de presente de um parente que havia se convertido ao protestantismo e resolveu lhe doar as imagens da Sagrada Família: Jesus, Maria José. E que essas imagens serviram para se formar o pensamento positivo na hora de decidir quem seria o padroeiro do povoado de Itatinga, fundado em 1924.

Por ser devoto de São José, o fundador Augusto Andrade de Carvalho, pediu ao Pe. Ranulfo Sena, de Vitória da Conquista, celebrante da Primeira Missa em Itatinga, em setembro de 1926, que consagrasse São José como padroeiro do lugar, o que foi feito. O local daquele acontecimento histórico foi no galpão que Augusto Andrade de Carvalho havia construído para, também, servir de escola, e que funcionou na praça que mais tarde ganhou o nome do fundador.

Em seguida fora construída a primeira Capela de São José de Itatinga no local próximo a atual agência dos Correios que haveria de ceder espaço para o avanço da Praça Dairy Valley, porque também já estava pronta a atual Igreja de São José. Na antiga capela foram sepultados Maria Augusta e José Andrade Carvalho, filhos de Augusto Andrade de Carvalho, também uma senhora de nome Hermelina e um filho de Bernardino.

As imagens de São José e Nossa Senhora foram esculpidas por um amigo de Augusto Carvalho, residente em Itambé, que as presenteou ao amigo católico.

A capelinha que ali existiu fora demolida no governo de Evandro Andrade, no escopo de ampliar as dimensões urbanísticas da praça.

Naquela missa histórica, ocorreu a realização de uma grande quantidade de batizados: Aristóteles Andrade de Carvalho, Antenor Andrade de Carvalho, Maria Andrade de Carvalho, irmã de Augusto, João, filho de Manoel da Onça, Romilda, José, Ambrosino e outros. Após a cerimônia, a convite de Augusto Andrade de Carvalho, o Pe. Ranulfo Sena foi à sede da Fazenda Astrolina onde batizou Maria da Glória Andrade de Carvalho e Elza Andrade de Carvalho, filhas do proprietário e participou de um big banquete.

Um adendo: Ali na descida da Praça Bela Vista, indo para a Igreja de São José, funcionou o primeiro cemitério de Itapetinga, sendo a primeira pessoa a ocupar espaço naquele local como morada eterna, a Sra. Clemência Maria de Jesus.

 

Primeiro professor

Remonta ao ano de 1927, a chegado do primeiro professor de Itatinga. Seu nome era Manoel Gomes que teve uma breve permanência e foi embora.

Não se sabe o motivo, mas ele só ficou 4 meses como regente de classe no povoado de Itatinga. O segundo professor, ainda no ano de 1927, ficou conhecido apenas pelo pré nome de Edson, ele veio de Vitória da Conquista e só ficou menos tempo ainda, só 30 dias a frente da escola.

Veio, então, o terceiro professor que se chamava Odilon Santana, permanecendo um pouquinho mais, seis meses. Para depois chegar a professora municipal Sra. Isaura Santana Costa que prestou relevantes serviços à educação de Itatinga.

Finalmente no ano de 1936, chegava da cidade de Salvador, a professora Celina Braga dos Santos, designada pelo governo do Estado para lecionar no povoado de Itatinga. A nobre educadora se apresentou na sede da Fazenda Astrolina, onde o Sr. Augusto Andrade de Carvalho ainda residia com a família. A ilustre professora foi enviada pelo coronel Rogério Soares Gusmão, prefeito de Itambé. Ao chegar à sede, com sua mãe, que se chamava Damiana, quem a recebeu foi Lezir, filha de Augusto Andrade de Carvalho. Quando a desconhecida se apresentou como professora, Lezir a princípio não acreditou, porque entendeu que ela apresentara a senhora que a acompanhava como sua ama, e não mãe, e por serem ambas de cor negra.

A professora Celina ensinou em Itatinga durante dois anos, numa escola na Rua Santos Dumont.

O Jornal ‘‘A Voz do Povo’’ da cidade de Itambé, único órgão de imprensa da região, na edição de 03 de novembro de 1936, deu destaque de primeira página a nomeação da primeira professora estadual para ministrar aulas no povoado de Itatinga, município de Itambé. De igual modo, o semanário também reportou a programação da festa cívica em homenagem à Proclamação da República daquele ano, com ênfase para o trabalho da professora Celina Braga dos Santos que fez constar na programação, declamação de poesias por alguns alunos, como por exemplo: “O Alfabeto”, por Nelson Oliveira; “Carícia da Chuva”, por Nair Oliveira; “A um mendigo”, por Elza Andrade de Carvalho, e outros alunos apresentaram cançonetas, e grupos de teatro já ensaiavam desde 1936, o potencial cultural desta terra chamada Itapetinga…

 

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

 

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