A ponte velha

Sem título-1Como é do conhecimento de todos, este ano de 2016 eu ainda não havia movimentado a minha coluna no Jornal Dimensão de Itapetinga. As pessoas me perguntam o que houve, que foi que aconteceu. Alguns até arriscam me dizer, para me agradar, que estão fazendo falta os nossos artigos. Ocorre que estou tendo dificuldades para encontrar pessoas capazes para me dar entrevistas. Quando eu era menos conhecido havia mais facilidade na obtenção da boa informação.
Entretanto, agora a pouco, recebi pela internet uma fotografia que me foi enviado pelo grande colaborador Antonio Macedo Ramos, o popularíssimo Antonio São Pedro, pessoa que busca auxiliar os interessados em elucidar alguns fatos atinentes a história regional. Porém, observando criteriosamente a data e o autor do projeto de construção da obra, logo percebi que havia um engano na informação prestada. Como na canção Quietude de autoria do Pe. Zezinho que diz: “Na minha fome de andar eu nem perguntei onde a estrada levava”. Antonio São Pedro na ansiedade de dar a informação, nem se preocupou em observar os detalhes. Mas, eu para dirimir as dúvidas e ainda para que o leitor tenha maior confiança no que eu escrevo, estou trazendo o documento que esclarece a data exata da construção daquela ponte:
“Sabe se, porém, e isto é fato, que em 28 de janeiro de 1942, durante a Terceira Conferência dos Chanceleres Americanos, no Rio de Janeiro, o Brasil anunciava o rompimento de suas relações diplomáticas com a Alemanha, Itália e Japão, por causa da agressão japonesa aos Estados Unidos. Começaram, então, os afundamentos de navios mercantes brasileiros, por submarinos alemães, alguns no litoral baiano, próximo a Itacaré, prejudicando a distribuição de mercadorias e gêneros de primeira necessidade para toda a Costa do Cacau e parte da Região Sudoeste da Bahia.
Em 31 de agosto de 1942 o governo brasileiro decretou Estado de Guerra ao “Eixo”. Por sua vez, o Governador da Bahia, Dr. Landulfo Alves, determinou que a Secretaria de Aviação do Estado construísse, em regime de urgência, cerca de 800 quilômetros de rodovias, destacando-se a estrada que liga Itambé a Palestina Baiana -Ibicaraí – que vai permitir a articulação dos centros de produção do litoral sul. Até ali a estrada que hoje é conhecida como BR 415, começava em Ilhéus e parava em Palestina Baiana (Ibicaraí). O outro trecho começava em Vitória da Conquista e terminava em Itambé.
Visando transportar as mercadorias das Docas e dos Armazéns Gerais de Salvador para suprir as regiões prejudicadas, através de caminhões, utilizando a rodovia Rio-Bahia, o Sr. Governador Landulfo Alves autorizou que dos 800 quilômetros de estradas a serem urgentemente construídos, 167 deles fossem imediatamente realizados entre Itambé e Ibicaraí, beneficiando as populações de Itapetinga, Itororó, Rio do Meio, Firmino Alves, Ponto do Astério, Santa Cruz da Vitória, Floresta Azul, Cachingó e Ibicaraí. “Cartilha Histórica da Bahia – 6ª Edição – ano 2002”.
Assim sendo, meu caro e meu nobre Antonio São Pedro, agradeço a sua boa vontade de querer esclarecer alguns detalhes da nossa história regional, mas Getúlio Vargas nada tem a ver com a construção da ponte velha que fica recôndita no tempo, a 4 KM ao leste de Itororó onde se separam as terras da Fazenda Cabana da Ponte Agropecuária Ltda., das da Fazenda Sede de Cima, cartão postal do conglomerado rural pertencente aos herdeiros do Dr. Sinval Palmeira Vieira e da Dra. Maria de Lourdes Borges Palmeira, outrora do Cel. João Borges da Rocha Neto e da Sra. Marieta Ribeiro Borges. Ali também se separam as terras do município de Itororó das do município de Itapetinga. E para seu controle, nobre coadjuvante, nesta época, Getúlio Vargas lutava para não deixar o governo e nem sabia que naquele local precisaria de uma ponte e quando ele reconquistou o poder, em 1950, a ponte e aquele trecho da estrada já estavam em pleno funcionamento. Portanto, deve-se ao governador Landulfo Alves, em 1942, a ligação da estrada de Itambé a Ibicaraí e a construção da ponte em foco, a primeira de cimento armado das dez existentes nas divisas de Caatiba e Itapetinga com o município de Itororó. A saber: Ponte da Fazenda Cachoeira Imperial, ponte de São José do Colônia, ponte do Ponto de Tábua, Ponte Velha no perímetro urbano de Itororó e Bandeira, Ponte da Amizade, Ponte da BR 415 nos mesmos limítrofes, Ponte da Estrada Velha que é esta em questão, Ponte da Fazenda Cabana da Ponte, Ponte do Oriente e Ponte do Pau de Oco. Apenas a do Ponto de Tábua permanece de madeira.

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