A poluição e a sujeira do Rio Catolé

kaluAproveitando o feriado de São José, padroeiro da nossa cidade, fui mais uma vez à Fazenda Liberdade com o objetivo de dar uma olhada nas margens do Rio Catolé, que passa por lá e fiquei estarrecido com a quantidade de lixo que nele é jogado. Em apenas um pequeno trecho de fácil acesso, que foi por muitos anos um dos locais preferidos para se tomar banho, com o auxílio de um trabalhador, conseguimos juntar uma pilha enorme de lixo. Suas margens outrora verdes e limpas estão repletas de garrafas, plásticos, vidros, pedaços de isopor, restos de móveis, sapatos, sandálias de borracha, tênis velhos, vasilhames de plástico e toda espécie de lixo que se pode imaginar e que nele são jogados e levados pelas enchentes em tempo de chuva. Aliado a tudo isto, muita sujeira é deixada por pescadores que invadem as propriedades rurais para pescar, deixando um rastro de sujeira aos pés das frondosas ingazeiras que ainda se preserva por lá. Apesar do ser humano ser o primeiro na escala evolutiva dos animais , o bicho homem é o que há de pior na natureza, capaz de destruir em pouco tempo o que a natureza levou anos para construir. De onde será que surge tanta animosidade e desrespeito? Sabemos da gravidade e da escassez de água em muitos estados do país, até mesmo nos grandes centros, mas nem por isto a população tem consciência da sua importância. Sabem mesmo é reclamar da sua falta ou quando a chuva vem em abundância deixando um rastro de destruição e morte. A tão esperada revitalização do Rio Catolé foi esquecida e deixada para trás como se fosse algo sem qualquer importância. Foi talvez um dos maiores projetos que a cidade já teve nos últimos dez anos e que infelizmente não foi adiante, o que é uma pena. Tenho insistido nesta questão do lixo que é jogado não só em torno da cidade, mas principalmente nas margens e proximidades do Rio Catolé, que precisa ser revisto como prioridade pelo município, através de campanhas de conscientização de toda comunidade. É preciso que os jornais, as rádios, os blogs, a população em si e os diversos meios de comunicação abracem esta causa de maneira ferrenha junto ao poder público, para que o projeto de revitalização do Rio Catolé seja retomado. Conclamo a Prefeitura Municipal, a Câmara de Vereadores, entidades, profissionais liberais, universidades, escolas, todos enfim para abraçarem mais uma vez esta causa. A água do rio é de extrema importância para as pessoas que moram na zona rural e que dela fazem uso para suas necessidades. Eles também merecem uma água limpa e de boa qualidade. Quando transito pela Avenida Beira Rio, no trecho que vai da Praça dos Orixás, passando pela Central de Abastecimento, com destino à Rodoviária, o montante de lixo que é jogado diariamente naquele trecho é um absurdo. Que triste cartão postal para os visitantes. Há de haver uma forma de coibir isso tudo, seja através de pesadas multas ou de denúncias aos órgãos competentes. É sabido que o brasileiro só respeita ou cumpre algo em benefício próprio ou da comunidade, quando sente no bolso. Aí ele aprende direitinho. As pessoas se sensibilizam quando ouvem o poeta declamar sua poesia ou a voz do cantor e compositor cantar uma canção sobre o nosso rio, saudoso de suas águas outrora tão limpas, falando do verde das árvores que enfeitavam suas margens e dos doces frutos das ingazeiras que não mais existem. Quem de sã consciência não gostaria de ver as águas dos rios limpas e claras? Para evitar que alguns pescadores e aventureiros de feriados e finais de semanas se arranchem nas margens dos rios, muitos proprietários das fazendas preferiram cortar as árvores para evitar problemas futuros, por causa de tais invasores, já que não se dispõe de proteção legal que dê suporte para protegê-las. Quanto mais perto da cidade for a propriedade, mais fácil será a invasão. O pretexto é sempre de caçar e pescar, regado a muita bebida, algazarra, som alto e muita sujeira. Deixam os animais inquietos e estressados quando vão beber água no rio. A coisa está tão complicada que o indivíduo invade sua propriedade e se você não tiver muita calma, paciência e prudência na hora em que for alertá-lo sobre tal invasão, está sujeito a ameaças, como já aconteceu com alguns proprietários de fazenda, ou coisas bem piores, como destruição da pastagem através de fogo, corte do arame das cercas e sei lá o que mais. Em que mundo estamos vivendo? É o que todos reclamam. Veio-me a lembrança uma frase que a amiga e redatora deste jornal, D. Eliene Portella, costuma dizer com certa frequência e que já parece até um bordão de sua autoria. “Só mesmo Jesus na causa”.

 

Nem doeu!

 

Não sei se já escrevi algum artigo com esse título, mas o fato é que o achei mais conveniente e apropriado para mais uma das minhas histórias de moleque. Que me perdoem os caros leitores caso tenha havido repetição, tendo em vistas tantos casos que deitei aqui neste espaço. A única surra que levei do meu pai, acho que eu tinha mais ou menos uns dez anos. Na realidade nem foi bem uma surra. Filho de uma família enorme, nascido e criado em fazenda, todo moleque e menino homem que se prezava, tinha que ter uma faca pequena, com baínha e tudo, pendurada na cintura com um cinto ou até mesmo um cordão. E eu não fui diferente. A faca era usada exclusivamente para aproveitar a abundância das frutas que existiam em nosso quintal, coisa que rico costuma chamar de pomar ou bosque. Lá era quintal, mesmo. Laranja, lima, manga, mamão, melancia, goiaba, cana, tudo passavam pela lâmina da minha faca. Certa feita estava eu sentado debaixo de um pé de lima, vestindo apenas um calção, que nem de brim era, talvez de bugariana, pés descalsos, de posse da minha faquinha, serelepe e radiante a deliciar-me com algumas limas que não estavam nem verdes e nem maduras, mas devêiz ou divêz. Era assim que a gente chamava. Para mim estavam no ponto. Ia tirando-as do pé, uma a uma, partindo-as em cruz com minha faca, para não perder tempo em descascar. Ficava mais fácil e bem mais rápido saborear as limas. Envolvido que estava, sequer percebi, quando meu pai, a passos lentos surgiu por trás e perguntou-me:

– Está morto da fome para chupar as limas ainda verdes?

– Respondi que elas estavam doces e devêiz.

Ele não pensou duas vezes. Ali mesmo no quintal quebrou uns ramos de mato fino, tipo fedegoso e sapecou nas minhas pernas para eu aprender a esperar as frutas madrucerem ou amadurecerem nos pés. Saí pulando feito um sapo e correndo para a cozinha. Minha mãe veio ver o que estava acontecendo e reclamou do meu pai por haver me dado aquela paia. Ele disse a minha mãe que não estava me dando surra alguma e explicou o motivo do corretivo. Minha mãe ficou mais brava ainda por achar que aquilo era coisa de menino e não era motivo para apanhar. Com o velho Sílio Dutra a gente tinha que andar na linha. Uma pequena surra poderia servir de exemplo e de ensinamento para uma vida inteira. Não nos batia sem motivo. Em contrapartida, virava um leão, quando alguém distratava ou maltratava um filho. Não havia perdão. No curso primário estudamos em uma escola de que só me recordo do nome da professora, que se chamava Gleides. Não me lembro bem qual foi o motivo. O certo é que a dita professora achou de bater com uma régua em um dos meus irmãos, por alguma dessas malinezas de criança. E a reguada foi bem nas costas, ficando inclusive a marca. O moleque chegou em casa chorando e contou o ocorrido. O velho Sílio Dutra nem pensou duas vêzes. Saiu feito uma fera para tomar satisfação da professora. Foi logo dizendo que se ela quisesse bater em alguém, tinha primeiro que parir. Em filho dele professora nenhuma batia. Muito menos de pau (régua). Podia até por de castigo. Não voltamos nunca mais àquela escola. A gente ouvia muitas histórias de que alguém havia levado uma surra, uma sova, uma coça ou uma pisa. Ou então que caiu no reio, no couro, no chicote, na peia, na ripa, na chibata. Variava de acordo com o material utilizado. Isto sem falar na famosa palmatória. Hoje em dia a coisa andam bem diferente. Não sei se melhorou ou piorou. O fato é que a meninada de hoje não anda fazendo bem o dever de casa no que diz respeito à educação. Não vem se comportado como se deve, principalmente em relação aos professores. Falta respeito na s salas de aula. O dever da escola é ensinar. Educação e boas maneiras se aprendem em casa. Se meu pai estivesse vivo ficaria ruborizado com os fatos e acontecimentos que tem ocorrido em algumas escolas. Com certeza diria que este mundo está virado.

 

P.S: Estive por duas semanas fora do ar aqui neste espaço, e me parece que as cobranças aumentaram. Acredito que meu número de leitores aumentou de de seis para sete. D. Netinha cobrou-me e com razão a ausência de duas semanas fora do ar. No feriado de São José enviei ao jornal, um texto falando sobre a poluição e a sujeira do Rio Catolé. Achei que Portela havia esquecido. Liguei então para ela e vi que a falha foi nossa. Melhor dizendo, minha, que pensei haver enviado o texto , mas o danado ficou no mesmo no ar. Para corrigir a falha e compensar a ausência enviei o anterior e mais um de lambuja, para não levar fama de preguiçoso. Graças a Deus, mais uma missão cumprida. Como diz o Dr. Laércio, pelo menos a sexta básica está salva.

 

Carlos Amorim Dutra

e-mail: carloskdutra@gmail.com

Um comentário para “A poluição e a sujeira do Rio Catolé”