A imagem do político na visão do brasileiro

Pesquisa do IBOPE, encomendada pela Rede Nossa São Paulo, divulgada ontem, revelou que a imagem dos políticos da administração paulistana é a pior possível. Segundo a pesquisa, dando notas de zero a dez, as 1.512 pessoas consultadas deram 2,9 para a honestidade dos políticos e 3,5 para a transparência. Além disso, 64% disseram desconfiar da administração municipal, 69% da Câmara de Vereadores e 63% do Tribunal de Contas do Município. E, mais, gostariam que 56% dos políticos pesquisados deixassem a cidade para sempre.

Será que, se essa mesma pesquisa fosse realizada a nível nacional, abrangendo todos os escalões de governo e instituições públicas, apresentaria resultados diferentes? Provavelmente que não, uma vez que os serviços da administração pública de São Paulo, avaliados pela população e que motivaram o baixo desempenho dos políticos, são os mesmos de todas as administrações públicas, em todos os níveis e lugares.

Segurança, por exemplo. Em São Paulo, a cidade foi considerada insegura por 35% dos pesquisados. Para os demais serviços públicos, os índices continuam ruins. A média para se conseguir uma consulta médica no sistema público de saúde paulistanoé de 52 dias e, para exames médicos, 65 dias. O paulistano também leva em média 22 minutos na fila do transporte coletivo.

Por esses índices, vê-se logo que a vida do morador da principal cidade brasileira, dependente decertos serviços públicos, é muito difícil. E, certamente, quase nada muda para esse morador, quando ele é de qualquer outra cidade do país.

Então, como é possível a população atribuir melhores notas à imagem e ao desempenho dos políticos brasileiros, se, diretamente, eles são osúnicosresponsáveis pela sua insegurança nas ruas das cidades, pela “via crucis” que percorre para receber atendimento médico, pela péssima educação que recebe nas escolas, pela dificuldade de se locomover nas grandes cidades, pela falta de emprego, de moradia decente e, até, de lazer para sua família?

Agrava, ainda, mais o descrédito do brasileiro a respeito dos políticos, chegando, às vezes, à beirar a revolta, quando ele toma conhecimento dos sucessivos escândalos, envolvendo os políticos e a administração pública, em todos os níveis da república.

Agora mesmo, ficamos sabendo que a obra de Transposição das Águas do Rio São Francisco, principal projeto tocado pelo Ministério da Integração Nacional, aquele comandado pelo ministro Fernando Bezerra, o mesmo que mandou 90% das verbas de sua pasta, destinadas a combater os males das enchentes, para Pernambuco, é alvo de cerca de dez investigações do Ministério Público Federal. E, coincidência ou não, a maior parte dos inquéritos abertos concentra-se em Pernambuco, Estado do ministro Bezerra, afilhado do governador pernambucano e, por isso mesmo, protegido da presidente.

As investigações em Pernambuco são para apurar indícios de superfaturamento, no Eixo Leste da Transposição, e de descontrole no pagamento de aditivos, ocorridos na gestão do ministro Bezerra. Nesse período, o ministério reajustou o contrato 34/2008 em 14,6% do valor inicial, passando-o do valor de R$ 235,5 milhões para R$ 269,9 milhões; e o contrato 29/2008 em 21%, passando-o do valor de R$ 250,9 milhões para R$ 303,6 milhões.

Outra irregularidade incrível que está sendo apurada, na execução das obras de Transposição, é a de que as medições dos serviços executados estavam sendo feitas pelas próprias empresas construtoras, quando deveriam ser pelas empresas supervisoras ou, então, por setores do próprio ministério. Algo semelhante a deixar o rato tomando conta do queijo.

Há também investigações em outros estados, o que faz crer a existência de irregularidades por toda a obra de transposição. No Ceará, por exemplo, a Procuradoria da República apura, com base em relatório de fiscalização do Tribunal de Contas da União, aditivos feitos pelo ministério em contratos do Eixo Norte.

As primeiras ações sobre a Transposição das Águas do Rio São Francisco foram propostas em 2005, o que faz crer que as suspeitas de irregularidades no serviço, já veem de muito tempo. Os inquéritos apuram desde fraude nas licitações, até a remoção irregular de índios dos locais por onde passam as obras.

Mas, para nossa tristeza, tudo isso é Brasil. Considerado o país da impunidade por todos aqueles que, inconformados, veem a cumplicidade dos governantes com a corrupção; a falta de interesse do Poder Judiciário em punir políticos comprovadamente corruptos; e, sobretudo, a ignorância nacional eleger e reeleger a nulidade e a desonestidade para governarem os nossos municípios, estados e a própria nação brasileira.

 

* Djalma Figueiredo é advogado

djalmalf@hotmail.com

 

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