A humanidade perdeu um guerreiro

padrão destaqueNelson Mandela morreu, nesta quinta-feira, aos 95 anos, na sua casa em Joanesburgo, após uma prolongada infecção pulmonar. Segundo o atual presidente “ele faleceu em paz no conforto da sua casa”.

No ano passado, assisti Invictus, o filme de Clint Eastwood, baseado no livro “Conquistando o inimigo”, de John Carlin.A história trata de como Mandela, vivido por Morgan Freeman, utiliza o time de rugby para unir um país à beira da desagregação. Não entendo nada de rugby – na verdade, nem sabia que existia até assistir ao filme – e pouco sabia sobre a vida de Mandela. Na verdade, atrai-me mesmo o fato de o longa de Clint Eastwood ter sido indicado ao Oscar. Mas ver o lado humano de Mandela me deixou impressionada. O chamar as pessoas pelo nome, as aproximações estratégicas, a busca em mesclar o negro com o branco, as frases de estímulo para que as pessoas não desistissem. Um líder cujo objetivo estava acima do seu querer, focado em construir uma nação. A garra e a obstinação em realizar seu sonho é muito bem mostrado. Observar o seu grau de determinação e humanidade me levou a querer saber mais sobre a sua vida e obra. Mas, como sempre, as atribulações da vida fez com que eu fosse adiando esse “estudo”. Embora as notícias sobre o “Madiba”, como era chamado, chamassem mais minha atenção, aprendi muito pouco sobre sua vida – digna de ao menos três ou quatro longas e incontáveis documentários – além do que é de conhecimento geral.

Mas o que mais se precisa saber de um homem que dedicou 70 anos da sua vida à luta pela liberdade e igualdade? Segundo reportagem do Jornal Hoje, “a luta pela justiça começou na universidade, quando estudava Direito. Mandela participou de greves estudantis, entrou em confronto com a direção da universidade e foi expulso. Viajou para Johanesburgo. Lá, conseguiu concluir a faculdade de Direito e se tornou o principal representante do movimento contra o apartheid. A política de segregação racial negava direitos políticos, sociais e econômicos à maior parte da população: os negros.

Mandela lançou uma campanha de desobediência civil. Ele era líder do Congresso Nacional africano, uma organização negra. Depois de um massacre de 67 negros na década de 60, ele decidiu assumir o comando do braço armado do CNA. O partido foi declarado ilegal e Mandela classificado como terrorista pelo governo sul-africano e foi parar na prisão por 27 anos.

No dia 11 de fevereiro de 1990, quando tinha 72 anos, o presidente Frederick de Klerk ordenou que ele fosse libertado e os dois dividiram o Prêmio Nobel da Paz. Mandela se tornou presidente da África do Sul e governou de 1994 a 1999. Mandela mudou o hino do país, alterou a política de segregação racial na legislação e consolidou a democracia.

Depois de deixar a presidência, Mandela se dedicou a uma campanha para arrecadar fundos de combate à AIDS. A campanha foi chamada de 466-64, o número dele durante a prisão”.

Muito mais do que um prêmio Nobel ou um grande articulador político, morreu nesta quinta-feira uma “unanimidade da paz”, como bem definiu a deputada Benedita da Silva. Nelson Mandela foi um dos mais hábeis, se não o mais hábil, conciliador do século XX.

Tudo que possa ser dito sobre Mandela será uma ínfima parte da sua verdadeira grandeza como homem, político e símbolo de moral. Como ele já não existe outro ser humano. Restou para nós os seus legados de humanidade, liberdade, justiça e democracia. Em meio a tantas crises de moral, a tantas notícias de corrupção, a tantos casos de desonestidade, ganância e egoísmo, fica difícil acreditar que os líderes atuais saibam preservar esses mesmos legados, de grandes homens, de grandes líderes, de grandes seres humanos. É impossível que lideranças em débito total para com os valores que importam e são imprescindíveis à humanidade, saibam fazer prosseguir e desenvolver o legado de Mandela.

A humanidade perdeu um guerreiro. Um ativista da liberdade e da democracia. Um líder mundial na luta pela igualdade entre os homens. Estamos de luto. A morte faz parte da vida. Como fez questão de frisar o próprio Madiba, “haverá vida após Mandela”. Portanto, importante mesmo é não deixar morrer as suas ideias, os seus ideais e o seu belo exemplo.

 

 

Isabela Scaldaferri

belscaldaferri@hotmail.com

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