A emancipação de Itapetinga se deve ao deputado ilheense Ramiro Berbet de Castro!

No desejo de ver, imediatamente, a vila de Itatinga se evoluir como mais um município do sudoeste baiano, o deputado estadual, ilheense, Ramiro Berbet de Castro (Ramirinho), pensou rápido em introduzir na Constituição Estadual da Bahia, o seu alvissareiro projeto de emancipação política de Itapetinga, mas foi observado pelo relator do Projeto de Lei da Constituição do Estado da Bahia, deputado Antonio Balbino de Carvalho, para aguardar um pouco mais, pois, aquele era um projeto de lei ordinária, podendo ser requerido a posteriori conforme o desejo do nobre parlamentar do Sul da Bahia.

Segundo o autor do livro “Itapetinga: a persistente busca de sua história”, fonte desta pesquisa, Dr. Emerson Ribeiro Campos, poucas pessoas de Itapetinga sabem que foi o deputado Ramiro Berbet de Castro, de Ilhéus, o autor deste projeto tão relevante para a história político-emancipativa de Itapetinga, “terra firme de gado forte”, agora também, sede de um território administrativo composto de doze cidades do sudoeste baiano.

A descrença da população na proposição do laborioso parlamentar se dava porque o nobre deputado sulino era um ilustre desconhecido do eleitorado de Itatinga, por isso, o povo demorou muito a acreditar que fosse mesmo verdade o seu desejo de ver Itapetinga emancipada. Mas, este fato, logo foi tornado realidade com a chegada do Diário Oficial do Estado, à Coletoria Estadual da vila, publicado no dia 24.08.1947, sob nº 45/47, quando a vila de Itatinga já comportava cerca de 12 mil habitantes.

A alegria tomou conta das ruas do novo município com bandas e fanfarras fervilhando a pequena povoação que a partir dali seria mais um município da região sudoeste baiana.

O ex-deputado e professor da Universidade Católica do Salvador, Rubem Nogueira, primo do ex-vereador da primeira Câmara Municipal de Itapetinga, Nehemias Nogueira Coutinho, e professor à Introdução da Ciência do Direito do autor do livro pesquisado, Emerson Campos, disse que em 1948 fez parte de uma comissão de parlamentares que visitou a vila de Itatinga para verificar se aquela povoação tinha mesmo condições de se tornar município independente. E afirmou que uma coisa lhe chamou a atenção, a feira livre na Praça Augusto Carvalho pela quantidade de carne verde e salgada exposta à venda.

Porém, enquanto eles foram para o almoço em casa do administrador Guilherme Dias, e voltaram à feira que datava sua inauguração de 1928, por iniciativa do Sr. Sifrônio Ferreira Ribeiro, que no começo demonstrava ser fraca, pois, o autor do projeto precisava comprar a sobra dos produtos em exposição para incentivar os fereiros, continuava arrojada, mas não encontraram mais, sequer, um grama da carne que antes viram nas bancas. Motivo encontrado, certamente, pela pouca concorrência de outros produtos similares como: conservas, enlatados, peixarias, carne suína e frangos congelados que ainda não existiam. Naquele tempo até mesmo o criatório de porcos era diminuto, só alguns baézinhos criados a fundo de quintal para extração da banha ou poucas galinhas e perus caipiras. E isto lhes casou uma ótima impressão da pequena Itatinga.

 

JUSTIFICATIVA:

“O novo município de Itapetinga, desmembrado de Itambé, já era bastante populoso, possuindo importante comércio, indústria de laticínios e sendo apreciável a riqueza de seus rebanhos e da sua variada cultura de cereais. Esse Município, dadas às condições de sua economia, haveria de muito contribuir para o progresso do Estado, concluiu o parlamentar”.

O Art. 1º do Projeto de Lei nº 45/47 dispõe sobre os limites do novo município confrontando com os seguintes à época: Itambé, Vitória da Conquista, Ibicaraí, Itabuna, Canavieiras e Macarani.

 

Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.

Sala das sessões, em 23 de agosto de 1947,

Ramiro Berbet de Castro – deputado.

 

De lá para cá o projeto tramitou na Assembléia Legislativa por várias discussões com participação de outros parlamentares como: Antonio Fernandes, Amarílio Benjamim, Raimundo Brito, Adelmário Pinheiro, Carlos Aníbal, Orlando Spínola, Aloísio Short e Eduardo Bizarria Mamede, tendo sido sancionado em 12 de dezembro de 1952, sob nº 508, pelo governador Luiz Régis Pacheco Pereira, publicado no DOE de 18.12.1952.

 

* Miro Marques é escritor, historiador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

 

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