A cidade mudou o rumo e retrocedeu

doNada foi mais comentado nos últimos dias aqui em Itapetinga do que o descaso e a inoperância do poder público com o nosso Parque Zoobotânico da Matinha. As notícias não param: o jacaré do papo amarelo foi roubado, aves desapareceram, vereador e equipe de televisão foram barrados na porta do zoológico. Respostas vazias são dadas à população que não pode usufruir das belezas da Matinha desde fevereiro último.

Desde a pré-história os animais exercem um certo fascínio no ser humano. Assim, os zoológicos, através de uma exposição que integre fauna e ecossistemas variados, têm um grande potencial e base para desenvolver programas educativos dinâmicos e interativos. São espaços onde podem ser observados e estudados uma variedade de espécies de animais.

Além disso, um Parque Zoológico também tem vital papel social. Este papel social se desenvolve quando pessoas de todas as classes sociais transitam e convivem em um mesmo espaço de lazer, configurando, assim, uma forma de democracia social. Neste ambiente de lazer, o papel educativo começa a se desenvolver, já que as crianças ao se depararem pela primeira vez com espécies exóticas e selvagens desenvolvem e consolidam a relação homem/animal. Ao passearem pelo parque, as crianças se conscientizam sobre a sensibilidade das espécies, as necessidades específicas de cada exemplar, seus hábitos, tipos de alimentação, manejo e peculiaridades. Com esta consciência, os menores aprendem a lutar pela conservação ambiental, já que são os grandes multiplicadores de idéias. A diversidade da vida pode ser mais significativa mediante o contato com a variedade de espécies que podem ser observadas nos zoológicos.

Itapetinga é uma cidade privilegiada – ou era – por possuir um espaço capaz de oferecer lazer e educação ambiental, por ter ainda preservado uma vasta área de Mata Atlântica e por ter rios importantes para a sua sustentabilidade. Mas o meio ambiente em nossa cidade tem sido pouco assistido. Não bastassem os problemas na Matinha, nosso Rio Catolé também pede socorro.

No ano passado foi lançado pela presidente Dilma Rousseff o Plano Nacional de Risco e Resposta a Desastre Naturais. O plano, entre outras ações, destina a verba de 190 milhões para a construção de uma barragem que deverá suprir a falta de água de alguns municípios da nossa região. Estão inclusos no orçamento, a captação emergencial de água e a implantação de elevatórias para o tratamento desta. O que nos preocupa, no entanto, é que nada é dito sobre o cuidado com o leito, nem um real foi destinado à revitalização das suas matas ciliares. Nenhuma preocupação foi demonstrada com sobrevivência de um rio que há muito tempo já pede socorro. Será que a barragem salvadora de Vitória da Conquista não será, também, aquela que poderá destruir nossa maior fonte de vida?

É preciso preparar o município para conviver de forma sustentável com as calamidades decorrentes das secas e das enchentes, concluir e executar as obras de infra-estrutura hídricas inacabadas e necessárias ao desenvolvimento do município, a exemplo de açudes, perenizações de rios e riachos, poços, barragens sucessivas e cisternas. Devemos recuperar as matas ciliares dos rios e riachos que banham o município, além de despoluir e controlar a qualidade dos mananciais do nosso Rio Catolé.

A defesa do planeta começa no quintal da nossa casa, na escola que estudamos, na comunidade. As catástrofes que têm acontecido no campo e na cidade nos mostram que a luta pela melhoria da qualidade de vida e a defesa do meio ambiente caminham juntas, lado a lado. Uma não pode existir sem a outra. Infelizmente, uma boa parte dos governos e das empresas ainda vêem a questão do meio ambiente de forma separada, como um pasta isolada. Estudar e cuidar do Catolé e preservar a Matinha são preocupações não só com um rio ou com um parque, mas com a sobrevivência de uma sociedade que depende deles. Não dá pra cuidar de gente, sem cuidar do meio ambiente!

Ninguém consegue realizar nada quando não tem paixão nem crença. O que permite desenvolver projetos para uma cidade é sua capacidade técnica, é verdade, mas o que te faz não desistir ou desanimar é o compromisso, o amor, a paixão pelo que você faz. Em 2008, Itapetinga mudou o rumo e retrocedeu. Parece que falta paixão dos nossos governantes por nossa cidade. Falta interesse em cuidar do que é nosso, do que temos de mais valoroso. Falta amor para cuidar do nosso povo.

Isabela Scaldaferri

belscaldaferrri@hotmail.com

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