Comendador é um título ou insígnia muito raro e nobre, concedido por Sua Santidade, o Papa, às pessoas que a eles fizerem jus, por se destacarem pelos bons serviços prestados a uma sociedade ou comunidade religiosa e por doações para Obras Pias de uma cidade.

Itabuna teve a honra de conseguir em 1913, condecorar o primeiro Comendador do Sul da Bahia, o Sr. José Firmino Alves. A primeira comenda concedida por Sua Santidade, o Papa Pio X a um brasileiro foi a Pre-Eclésia Et Pontífice, concedida ao benemérito Itabunense Firmino Alves.

O Comendador João Alves de Oliveira foi o segundo dos dois únicos comendadores do Sul da Bahia a ser agraciado com tão importante honraria. Face aos seus inestimáveis serviços prestados no crescimento da sociedade e do cristianismo em Itabuna, em 1962, o Sr. João Alves de Oliveira completava 80 anos de idade, e como presente de aniversário, o Bispo de Ilhéus D. Caetano de Lima Santos, por iniciativa do Pe. Claumino Carlos Freitas, conseguiu para ele a Comenda de São Gregório Magno, a qual foi assinada pelo Papa João XXIII em 19 de dezembro de 1962. (Documentário Histórico Ilustrado de Itabuna 1968).

João Alves de Oliveira que chegou a Itabuna desfrutando dos bons tempos da sua preciosa mocidade, foi amigo íntimo e coadjuvante do Cel. José Firmino Alves no desenvolvimento de Itabuna. Oriundo do estado de Sergipe, ele fez importantes doações para obras pias lá em sua cidade. Como viajante, João Alves de Oliveira estava constantemente em visita ao vizinho estado, seu berço, e de lá ele trazia muitos conterrâneos para ajudarem na construção do crescimento da importante metrópole Grapiúna, Itabuna.

Sendo religioso de convicção Católica Apostólica Romana, João Alves de Oliveira também participou ativamente do crescimento do cristianismo em Itabuna ao lado do seu amigo Coronel e Comendador José Firmino Alves. Foi membro fundador da Sociedade São Vicente de Paulo e da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. Foi eterno colaborador dos Padres Moysés, André Costa, Anísio Vivas, João Clímaco dos Santos, Hortêncio Vieira e Luiz Manoel Vieira.

Fundou o Jornal Mariano em 08.12.1927 no escopo de melhor difundir os trabalhos religiosos da Congregação Mariana, da qual fazia parte. Neste mensário ele foi o gerente e o redator chefe.

Em 1931, resolveu morar no povoado de Itapuí, sétimo distrito de Itabuna, depois distrito de Ibicaraí e finalmente cidade e comarca de Itororó. Logo que chegou a esta cidade organizou a pastoral da capelinha de Santo Antonio e por achar seu espaço físico muito pequeno para a vocação e o crescimento do catolicismo do povoado, desencadeou uma grande campanha para arrecadação de recursos a fim de construir a Igreja Matriz de Santo Antonio, quando enfrentou batalhas ferrenhas contra o protestantismo que vislumbrava dominar a religiosidade local. Programou festas de largo, desenvolveu o folclore nordestino e elaborou o projeto de construção da nova igreja na principal praça da cidade, mas não sossegou enquanto não viu, no final daquela década, a igreja prontinha para ser inaugurada.

Em 05 de março de 1934, João Alves de Oliveira assumia a titularidade do Cartório de Paz do distrito e a partir daí foi grande a sua luta em defesa desta terra que lhe havia apaixonado desde que a conheceu.

Em 05 de abril de 1934 a comunidade católica de Itapuí foi convocada para uma reunião em casa do Sr. João Alves de Oliveira, a realizar-se às 15 horas do dia 26 do corrente mês e ano, a fim proceder ao assentamento da “Pedra Fundamental” para edificação do novo templo da Igreja Católica de Itororó na Praça Castro Alves.

Além de membro religioso e oficial de cartório, João Alves de Oliveira adquiriu propriedades na área urbana que loteadas serviram para o avanço urbanístico de Itororó e até hoje alguns lotes ainda pertencem aos seus herdeiros.

Em 1935, uma Comissão Prol Construção do Novo Templo da Igreja Católica de Itapuí, composta dos Srs. Dr. Nelson Togo Guerreiro, médico; Antonio Olympio da Silva, juiz de paz; João Alves de Oliveira, autor do projeto; Ezelvir Dutra, comerciante; e Joaquim Rodrigues Moreira, empresário rural e outros investiram pelas ruas do distrito para arrecadação de fundos a fim de reiniciar a construção da igreja católica, interrompida desde setembro de 1934. Mesmo com todo esse esforço da Comissão e dos fiéis esta obra só foi concluída no finalzinho da década.

Em 15 de setembro de 1938, percorreu as ruas do distrito de Itapuí um Abaixo Assinado intitulado A VOZ DO POVO BOM, PACATO, ORDEIRO, CRITERIOSO E SENSATO DE ITAPUY, em apoio ao Sr. João Alves de Oliveira que havia sido acusado pela polícia local de ter recebido uma carga de armamentos e munições. A manifestação pública conseguiu recolher mais de duzentas assinaturas daquela pequena população.

João Alves de Oliveira foi um dos mentores do movimento político que eclodiu com a emancipação de Itororó. Por este motivo, tempos depois, a Câmara de Vereadores lhe homenageou dando seu nome para uma artéria na parte central da cidade.

João Alves de Oliveira era natural do antigo distrito de Campos, hoje Comarca de Tobias Barreto – Sergipe. Nascido a 29.12.1883, filho do Major Teothônio Alves da Cruz e Possidônia das Virgens e Oliveira, ele faleceu em Itororó, aos 90 anos, no dia 03.01.1973. Seu corpo está sepultado no cemitério local. Os membros remanescentes da sua família continuam participando da vida pública da sociedade local, a exemplo do Dr. Carlos Oliveira, médico urologista renomado em Salvador, Dr. José Junseira, promotor de justiça em Itapetinga, Dr. João de Oliveira Neto, advogado em Vitória da Conquista, Dr. Sílvio Oliveira doutor em Ciências Contábeis e tantos outros profissionais liberais da sua distinta árvore genealógica.

 

 

* Miro Marques é escritor, histo-riador e radialista

jornaldimensao@yahoo.com.br

 

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